O iene atingiu nesta segunda-feira (7) a maior cotação em sete meses, impulsionado pela expectativa de um aperto monetário mais rápido no Japão e pela possibilidade de repatriação de recursos por investidores japoneses.
O dólar caiu para 154,05 ienes, menor nível desde fevereiro, e era negociado a 154,4 ienes, em queda de 1,1%. A moeda americana também rompeu as mínimas registradas em agosto, depois que Washington e Tóquio intervieram conjuntamente para apoiar o iene, que naquele período estava nas mínimas de 40 anos.
Lee Hardman, analista sênior de câmbio da MUFG, afirmou que a queda do dólar abaixo de 155 ienes reforçou a visão positiva dos investidores sobre a moeda japonesa. “Romper esse nível é um sinal otimista e podemos ver uma valorização ainda maior do iene”, disse.
O movimento ocorre em meio ao possível encerramento de operações de carry trade financiadas em ienes, estratégia que contribuiu para a desvalorização da moeda. A repatriação de capitais e a pressão política dos Estados Unidos também levaram investidores a rever posições pessimistas mantidas por longo período.
O dólar chegou a ser negociado acima de 160 ienes na última terça-feira. Para Eric Robertsen, chefe global de pesquisa e estrategista-chefe do Standard Chartered, uma valorização persistente do iene pode indicar mudanças na alocação de ativos.
Inflação dos EUA no radar
O principal evento desta semana será o relatório de inflação dos Estados Unidos, previsto para sexta-feira (11). Os dados podem influenciar a decisão do Federal Reserve sobre um possível aumento dos juros ainda neste mês e afetar a trajetória do dólar.
Os investidores calculam uma probabilidade de aproximadamente 60% de alta dos juros pelo Fed, após o relatório de empregos não agrícolas dos Estados Unidos, divulgado na sexta-feira, ter vindo mais forte do que o esperado.
Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da BBH, disse que um resultado positivo do índice de preços ao consumidor praticamente garantiria um aumento em setembro e apoiaria o dólar. Uma leitura mais fraca, afirmou, fortaleceria a expectativa de manutenção dos juros e deixaria a moeda americana vulnerável.
O Banco Central Europeu se reúne nesta quinta-feira (12), com expectativa de aumento das taxas de juros da zona do euro. O euro subiu 0,15%, para US$ 1,1630, enquanto a libra esterlina avançou para US$ 1,3539.








