O Mercado Livre passou a orientar as expectativas sobre o varejo brasileiro e a influenciar as cotações de empresas listadas na B3, embora suas ações sejam negociadas apenas na Bolsa de Nova York. Magazine Luiza e Casas Bahia estão entre as companhias afetadas pelos movimentos do grupo argentino no país.
Nesta semana, o Magazine Luiza anunciou a entrada de cerca de 28 mil produtos próprios em seu marketplace. O acordo inclui itens de Magalu, KaBuM! e Época Cosméticos, com possibilidade de incluir a Netshoes posteriormente. As vendas começam neste mês.
Após o anúncio, as ações MGLU3 subiram 16,88% nesta quarta-feira, 2, a R$ 5,40, e avançaram mais 2,59% no dia seguinte. A parceria ocorre depois do acordo firmado entre Mercado Livre e Casas Bahia, anunciado em novembro de 2025.
Para Danielle Lopes, analista da Suno Research, o grupo se tornou uma referência para as varejistas em logística, distribuição, variedade de produtos e audiência. “O Mercado Livre virou o benchmark do setor”, afirmou.
Parceria amplia alcance e sortimento
A XP Investimentos avalia que o acordo beneficia as duas empresas. O Magalu passa a acessar a audiência do marketplace, enquanto o Mercado Livre amplia a oferta de produtos em categorias como linha branca e itens de maior porte.
A estimativa é que cerca de 75% dos consumidores que chegarem aos produtos do Magalu pela plataforma sejam novos clientes. A margem de contribuição das vendas deve superar a obtida com mídia paga, mas ficar abaixo da margem dos canais próprios.
O Citi classificou a parceria como um passo natural, mas apontou que ainda é necessário conhecer os termos econômicos, principalmente a comissão paga ao Mercado Livre. O JP Morgan também avaliou o acordo de forma positiva, embora mantenha recomendação de venda para a ação. A Ativa Investimentos afirmou que a operação permite ao Magalu vender com margem melhor e ao Mercado Livre acessar novas categorias.
Para o marketplace, a parceria ajuda a preencher a lacuna relacionada a produtos pesados, como linha branca, móveis e eletrodomésticos. As cerca de 1,2 mil lojas do Magalu podem ser usadas como pontos de retirada e devolução. As empresas também negociam a possibilidade de a Magalog fazer entregas para vendedores do Mercado Livre, sobretudo em produtos transportados por rodovia.
A XP estima que o volume vendido diretamente pelo Magalu represente menos de 15% das vendas do Mercado Livre no Brasil. Por isso, o acordo é visto mais como uma defesa de categoria do que como um grande motor de crescimento.
Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing, considera que o Mercado Livre se tornou uma referência que as varejistas precisam perseguir. Para ele, alcançar a estrutura de centros de distribuição, entregas e pontos de retirada da companhia exigiria investimentos elevados.
A influência do grupo, porém, convive com fatores macroeconômicos. Juros, crédito, inadimplência e consumo continuam condicionando o desempenho das varejistas brasileiras. Os analistas também apontam que o Mercado Livre ganhou maior adesão por combinar variedade, preços e serviços ajustados ao comportamento do consumidor no país.








