A saúde e o bem-estar representaram cerca de 30% das 60 novas operações abertas pela Alqia no primeiro semestre de 2026. A categoria já responde por aproximadamente 10% das vendas dos 12 shoppings administrados pela companhia.
No primeiro semestre, o segmento movimentou entre R$ 246 milhões e R$ 250 milhões, acima dos cerca de R$ 170 milhões a R$ 171 milhões registrados no mesmo período de 2019, antes da pandemia. O grupo administra empreendimentos com cerca de 405 mil metros quadrados de área bruta locável. Em 2025, os shoppings receberam mais de 90 milhões de visitantes.
Serviços de saúde ganham espaço
O segmento inclui farmácias, clínicas médicas, centros de vacinação, serviços de estética, academias, estúdios de atividade física e lojas de suplementos. Para Claudio Ximenes, diretor de Operações da Alqia, esses negócios aumentam a frequência dos consumidores nos centros comerciais.
“A saúde e o bem-estar trazem uma visitação mais obrigatória, compulsória, que entra na rotina do consumidor”, afirma Ximenes.
A expansão também ocorre com a ocupação de áreas deixadas por grandes redes. No Via Parque Shopping, no Rio de Janeiro, a Alqia abriu espaço para a primeira unidade da academia Ironberg no estado, com 2.500 metros quadrados. A operação ocupou áreas antes usadas por uma unidade da Smart Fit e por uma Ri Happy, que foi transferida e teve o espaço reduzido.
A companhia também passou a considerar um conjunto de clínicas menores como uma espécie de âncora. Segundo Ximenes, embora a definição tradicional envolva operações com mais de 1.000 metros quadrados, o agrupamento de clínicas pode cumprir essa função.
Os contratos desse tipo de operação costumam combinar aluguel mínimo, participação sobre vendas e prazos mais longos de permanência.
Concorrência digital
O avanço da saúde nos shoppings ocorre ao mesmo tempo em que grandes plataformas digitais entram no mercado. O Mercado Livre anunciou a venda de medicamentos com receita médica pela internet, incluindo antibióticos e remédios da classe GLP-1, usados em tratamentos relacionados à obesidade e ao diabetes. A empresa também prepara a entrada de redes de farmácias em seu marketplace.
A disputa inclui as chamadas canetas emagrecedoras. A aprovação de versões genéricas de medicamentos à base de semaglutida em agosto abriu espaço para a expansão desse mercado. O UBS BB estima que o segmento brasileiro de medicamentos GLP-1 possa alcançar R$ 20 bilhões em 2026.
Para a Alqia, a concorrência digital não reduz a importância das lojas físicas. Ximenes afirma que as farmácias ampliaram os serviços oferecidos e que o shopping é associado à segurança na compra de produtos de maior valor.








