SÃO PAULO — A crise climática foi mencionada por apenas 3% das 6.129 candidaturas acompanhadas durante o primeiro mês oficial da campanha eleitoral de 2026. O primeiro turno está marcado para este domingo, 4 de outubro, com mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar.
O levantamento foi feito pelo Barômetro, projeto do estúdio de impacto FALA, a partir de publicações no Instagram e no X, antigo Twitter, de candidatos à Presidência da República, aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados. Os perfis analisados foram informados à Justiça Eleitoral.
Eventos extremos entram no discurso
Uma análise específica identificou 264 publicações, feitas por 114 candidaturas, sobre ocorrências recentes em Amazonas, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo. O recorte considerou enchentes, temporais, fumaça, seca e deslizamentos.
As mensagens trataram principalmente de vítimas, prejuízos materiais, solidariedade, reconstrução, prevenção e infraestrutura. A relação desses episódios com as mudanças climáticas apareceu com menos frequência.
No Rio Grande do Sul, 68 candidatos fizeram 176 publicações sobre temporais e enchentes registradas em setembro. Dezessete posts mencionaram mudanças climáticas, o equivalente a 9,7% do total, e dois citaram diretamente o El Niño.
Em São Paulo, 20 das 871 candidaturas monitoradas abordaram enchentes e deslizamentos recentes. Foram 27 publicações, com cinco referências diretas às mudanças climáticas. Nenhuma mencionou o El Niño.
No Amazonas, 20 das 141 candidaturas acompanhadas falaram sobre fumaça, queimadas, seca e calor. Foram identificadas 52 publicações. Os termos apareceram em 31 posts, 25 e 17, respectivamente. O El Niño foi citado em sete.
No Paraná, episódios como tornados, temporais e um deslizamento em Ponta Grossa foram mencionados por 1,6% das candidaturas monitoradas. Houve nove publicações; uma citou a crise climática e outra, o El Niño.
Concentração política e regional
Das 186 candidaturas que trataram diretamente de mudanças climáticas, 158 pertenciam a partidos classificados como de esquerda. O grupo representou 85% do total. Partidos de direita reuniram 16 candidaturas, e os de centro, 12, equivalentes a 9% e 6%.
A esquerda também respondeu por 92% dos 439 posts sobre o tema. Direita e centro representaram 4,1% e 3,6%, respectivamente.
O Sul teve a maior proporção de candidatos que mencionaram mudanças climáticas, com 5%, seguido pelo Sudeste, com 3,5%. O Nordeste registrou 1,6%. Em números absolutos, o Sudeste liderou, com 207 publicações de 75 candidaturas. Sul e Sudeste reuniram quase 75% das publicações encontradas no país.
Agronegócio lidera agenda ambiental
O agronegócio apareceu em 4.001 publicações, enquanto conflitos de terra tiveram 1.081 menções. Também foram registrados 667 posts sobre eventos climáticos, 481 sobre conservação, 439 sobre mudanças climáticas e 375 sobre energia e transição energética.
Entre os conteúdos sobre mudanças climáticas, predominaram posições favoráveis à transição energética, à adaptação e ao combate ao desmatamento. O monitoramento identificou ainda cinco publicações classificadas como narrativas de negacionismo climático, equivalentes a 1,1% dos 439 posts sobre o tema.








