O conselho da Ecopetrol escolheu por unanimidade Joaquín Gutiérrez Caballero para comandar a estatal colombiana de petróleo. A decisão encerra a transição na liderança da maior companhia de petróleo da Colômbia e inicia uma fase marcada pela montagem da diretoria executiva e pela necessidade de conciliar desempenho financeiro e influência política.
Administrador de empresas, Gutiérrez não construiu carreira em petróleo e gás nem comandou anteriormente uma empresa com a escala e a complexidade da Ecopetrol. Ele passou pelos setores de saúde e mercado imobiliário, exerceu funções de assessoria, liderou a campanha presidencial de Abelardo de la Espriella e mantém uma relação de longa data com o presidente.
O governo colombiano controla cerca de 87% da companhia. Além disso, o conselho da Ecopetrol foi renovado e reúne relativamente pouca experiência operacional no setor de petróleo e gás. A escolha da diretoria executiva será, portanto, o primeiro sinal de como a empresa pretende combinar conhecimento técnico, experiência operacional e disciplina financeira.
O precedente da Petrobras
A Petrobras oferece um paralelo para o desafio. Durante o governo Jair Bolsonaro, a empresa teve quatro presidentes com trajetórias diferentes: Roberto Castello Branco, economista com passagens pelo mercado financeiro e pela Vale; José Mauro Coelho, ligado ao setor de energia; e Caio Mario Paes de Andrade, com carreira na área de tecnologia.
O caso mais próximo ao de Gutiérrez foi o de Joaquim Silva e Luna, general da reserva e ex-presidente de Itaipu. Ele assumiu a Petrobras sem carreira na indústria de petróleo e gás, mas contou com uma diretoria formada majoritariamente por executivos da própria companhia, com experiência operacional e financeira.
Entre 2019 e 2022, o EBITDA ajustado da Petrobras dobrou para US$ 66,2 bilhões. O lucro líquido chegou a US$ 36,6 bilhões, enquanto a dívida líquida caiu 47%, para US$ 41,5 bilhões. Em 2022, o fluxo de caixa livre foi de US$ 40,1 bilhões e a distribuição aos acionistas alcançou US$ 37,7 bilhões.
A melhora também ocorreu em um ambiente favorável para os preços do petróleo e para as margens de refino. A geração de caixa, a venda e a racionalização de ativos e uma disciplina mais rígida na alocação de capital fizeram parte da transformação.
A experiência brasileira também mostrou que uma equipe técnica não elimina conflitos entre decisões empresariais e interesses do governo controlador. Castello Branco, Silva e Luna e José Mauro Coelho foram substituídos após divergências envolvendo os preços dos combustíveis.
Pressão sobre resultados
Na Ecopetrol, a nova gestão poderá atuar sobre custos, volume e qualidade dos investimentos, além de revisar o portfólio e avaliar eventuais vendas de participações em ISA ou Cenit. A normalização do FEPC, mecanismo colombiano de estabilização dos preços dos combustíveis, também poderia contribuir, mas depende do governo.
As projeções indicam EBITDA de US$ 11,5 bilhões em 2025, US$ 16,5 bilhões em 2026, US$ 13,5 bilhões em 2027 e US$ 12,7 bilhões em 2028. O lucro líquido estimado passa de US$ 2,2 bilhões em 2025 para US$ 4,3 bilhões em 2026, antes de recuar para US$ 3,2 bilhões em 2027 e US$ 2,7 bilhões em 2028.
A dívida líquida, equivalente a 1,6 vez o EBITDA em 2026, deve chegar a 2 vezes em 2027 e 2,2 vezes no ano seguinte. A evolução reforça a importância das decisões sobre investimentos, custos, portfólio e relação com o governo colombiano na nova gestão.








