A atualização da NR-1 passou a incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Com isso, empresas regidas pela CLT devem identificar, avaliar e reduzir fatores como metas abusivas, jornadas exaustivas, assédio e sobrecarga. Esses itens podem ser verificados em fiscalizações e gerar multa.
O tema ganhou força com a entrada da Geração Z no mercado de trabalho. Muitos jovens estão no primeiro emprego como aprendizes ou estagiários e relacionam desempenho profissional à saúde emocional. Levantamento da Serasa Experian com pessoas de 18 a 28 anos em todo o país indica que três em cada dez já pediram afastamento por questões de saúde mental.
A pesquisa também aponta que seis em cada dez entrevistados consideram incompatíveis as práticas das empresas com o discurso adotado sobre o tema. Apenas 28% dizem se sentir confortáveis para falar de saúde mental no ambiente profissional.
Afastamentos e percepção dos jovens
O Panorama de Saúde Mental no Mercado de Trabalho Brasileiro, da Gupy, registra que 81% dos profissionais da Geração Z já pediram demissão por motivos ligados à saúde mental. O estudo mostra ainda que 72% priorizam propósito e ética acima do salário ao escolher onde trabalhar.
Dados da Visier indicam que 40% dos jovens não querem ocupar cargos de gestão por associarem essas posições a mais estresse e pressão. Outros 39% recusam fazer horas extras.
O Ministério da Previdência Social registrou, em 2025, mais de 500 mil afastamentos por transtornos mentais e comportamentais. O número foi quase 16% maior que o de 2024 e o mais alto da série histórica. São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentraram os maiores volumes.
Pesquisa da Cigna citada no texto aponta que 91% dos trabalhadores da Geração Z relatam estresse elevado, enquanto cerca de 98% apresentam sinais de esgotamento extremo. A Anamt estima que cerca de 30% da população brasileira conviva com burnout.
No Check-up de Bem-Estar 2025, da Vidalink, 72% das mulheres e 51% dos homens da Geração Z relataram sentimentos negativos na maior parte dos dias. O índice diminui entre Millennials, Geração X e Baby Boomers. A mesma pesquisa mostra que 39% dos homens e 35% das mulheres da geração afirmam não realizar nenhuma ação para cuidar da saúde mental.
Mudanças para empresas e trabalhadores
A atualização da NR-1 inclui no campo da fiscalização medidas como programas de saúde mental, canais de denúncia, revisão de metas e controle efetivo da jornada. A Lei nº 14.831/2024 criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental.
Para aprendizes e estagiários, as mudanças podem oferecer respaldo formal para questionar jornadas excessivas, metas desproporcionais e ambientes hostis. Esse grupo, porém, também enfrenta menor poder de barganha e receio de prejudicar o início da carreira.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada com mais de 8.800 jovens de 14 a 24 anos, mostra que oportunidade de crescimento, escolhida por 54%, boa remuneração, com 43%, e ambiente de trabalho agradável, com 31%, aparecem à frente do trabalho flexível entre os critérios de escolha. O trabalho flexível ficou na 5ª posição.
Para Rodrigo Santos, psicólogo e tutor educacional na Leapy, a mudança exige que as empresas transformem campanhas e discursos em procedimentos concretos. A avaliação, segundo ele, deve considerar tanto quem já está no mercado quanto quem está começando como aprendiz ou estagiário.









