A Pagaleve cresceu 400% em 2025 ao oferecer parcelamento via Pix sem cartão de crédito. Criada em 2021, a fintech alcançou receita anualizada de 100 milhões de dólares, cerca de 520 milhões de reais, em julho, e agora prepara a expansão para lojas físicas.
A empresa recebeu autorização do Banco Central para atuar como emissora de instrumento de pagamento pós-pago e iniciadora de transação de pagamento. Com isso, passou a integrar formalmente o Sistema de Pagamentos Brasileiro e ficou submetida à supervisão do órgão.
A autorização exige da companhia medidas como capital, governança, controles internos, gerenciamento de riscos, prevenção à lavagem de dinheiro, ouvidoria e envio periódico de informações ao regulador.
Análise por compra
A Pagaleve afirma que avalia cada transação individualmente, sem depender apenas do histórico financeiro do consumidor. O motor próprio considera mais de 100 variáveis e toma uma decisão em até três segundos, levando em conta dados da compra, do cliente e do contexto.
A fintech diz aprovar, em média, 65% das transações analisadas. No quarto trimestre de 2025, a inadimplência estava em torno de 2%, segundo Eduardo Zucareli. A empresa assume o risco da operação, enquanto o varejista recebe conforme o contrato e não fica exposto à inadimplência nem ao chargeback, de acordo com a companhia.
“O que a gente percebeu é que, muitas vezes, o próprio produto define a própria inadimplência”, afirmou Zucareli.
O serviço está disponível em empresas como Shein, Temu, Raia, Drogasil, Vivara, Farm, Reserva, Cobasi, Hering e New Balance. A Pagaleve também mantém parceria com a Pague Menos desde 2023. Um estudo feito com a rede apontou que 82% dos clientes que usaram a fintech nunca tinham comprado antes na farmácia.
A companhia informa que o ticket médio das compras com seu serviço é 40% maior na Pague Menos e 15% superior na Reserva, em comparação com os demais meios de pagamento.
Mais de 80% da receita da Pagaleve vêm de consumidores recorrentes. Entre os usuários aprovados, dois terços voltam a comprar em até 90 dias. No último trimestre, 1,3 milhão de pessoas utilizaram o serviço pela primeira vez.
Expansão para o varejo físico
A empresa já opera em algumas lojas de parceiros, mas começou a montar uma equipe específica e a desenvolver integrações com os sistemas usados pelos lojistas. A proposta é oferecer o parcelamento dentro da automação comercial, sem exigir que o vendedor abra outro aplicativo ou interrompa o atendimento.
No comércio eletrônico, a Pagaleve aparece no checkout ao lado de cartão, Pix e outras formas de pagamento. Para a empresa, essa posição permite que o cliente escolha parcelar antes de definir como fará o pagamento.
A fintech projeta alcançar receita anualizada de 200 milhões de dólares nos próximos meses. O comércio eletrônico continuará como parte central da operação, enquanto o caixa das lojas físicas é tratado como a próxima frente de crescimento.
A companhia afirma ter Ebitda positivo desde o fim de 2024 e resultado líquido positivo, sem divulgar os valores. A operação tem cerca de 200 funcionários.








