O Yaowang X27 Park, na periferia de Hangzhou, na China, transformou um shopping inacabado em uma estrutura voltada ao comércio digital. O empreendimento tem 260 mil metros quadrados, cerca de 350 lojas e capacidade para receber até 350 transmissões ao vivo simultaneamente.
Aberto em dezembro de 2023, o espaço funciona como uma grande base para lives. Cada loja pode servir de estúdio, com apresentadores que demonstram produtos e fazem vendas pelo Douyin, a versão chinesa do TikTok. Os visitantes podem provar os itens, mas a compra acontece pela plataforma digital.
Em dias úteis, os corredores podem ficar vazios enquanto escadas rolantes, banheiros e serviços de limpeza continuam funcionando. A proposta é usar o prédio para produzir conteúdo e alcançar compradores a milhares de quilômetros de distância, em vez de depender do fluxo de pessoas no local.
De shopping inacabado a parque de live commerce
A história do empreendimento começou em dezembro de 2010, quando a incorporadora Zhejiang Zhongyou Industrial comprou o terreno em Qiaosi, na periferia de Hangzhou. A obra foi interrompida depois que a empresa ficou sem recursos. Em 2016, compradores de unidades protestaram contra a situação e, em 2019, a incorporadora entrou em processo de falência, com quase 3 mil credores.
Em 2022, a Yaowang assinou um acordo com o comitê de desenvolvimento de Linping para criar uma base digital de compra e venda de roupas. O projeto, inicialmente pensado para combinar atacado e live commerce, evoluiu para o X27.
A expectativa era vender por metro quadrado entre dez e cem vezes mais do que um shopping convencional. O resultado, porém, ficou abaixo da promessa. A Yaowang encerrou 2025 com queda de 31% na receita e mais um ano de prejuízo.
Interesse no Brasil
O modelo chamou a atenção da Abrasce, associação que representa os shopping centers brasileiros. Glauco Humai, presidente da entidade, afirmou que o caso pode contribuir para o debate sobre a integração entre comércio eletrônico e varejo físico.
“É um shopping que as escadas rolantes funcionam, os banheiros funcionam, tem robô limpando no chão... tem tudo, só que as lojas só têm influencer gravando e vendendo online 24 horas por dia”, disse Humai.
Para ele, um espaço pode receber consumidores, funcionar como ponto de experiência e também apoiar vendas digitais, produção de conteúdo, retirada de produtos ou logística.
A discussão ganhou espaço com a chegada do TikTok Shop ao Brasil, em maio de 2025. O BTG Pactual estima que a plataforma movimente cerca de R$ 20 bilhões no país em 2026. No X27, a solução foi levar as câmeras para dentro das lojas e reduzir o papel do consumidor presencial.








