Donald Trump e Xi Jinping devem se reunir nesta semana pela segunda vez no ano, em uma tentativa de preservar a estabilidade das relações entre Estados Unidos e China. A avaliação é do Center for Strategic and International Studies (CSIS), que prevê a possibilidade de outros encontros até o fim de 2026.
Os dois governos têm interesse em evitar uma nova crise bilateral. Nos Estados Unidos, a economia mantém força nos investimentos em inteligência artificial, mas enfrenta inflação persistente, aumento do desemprego e expansão da dívida. O mercado de títulos também demonstra preocupação com os fundamentos econômicos do país. Para Trump, uma piora na relação com Pequim seria inconveniente com a aproximação das eleições de meio de mandato.
A China também enfrenta dificuldades econômicas. Xi Jinping está nos primeiros meses de preparação para o Congresso do Partido Comunista, previsto para o segundo semestre de 2027. Segundo o CSIS, um ambiente internacional estável favoreceria os interesses políticos do líder chinês e sua estratégia de ampliar relações bilaterais harmoniosas, especialmente com o Sul Global.
Possíveis resultados
A expectativa é de uma extensão da atual trégua comercial. A China poderia aumentar o fluxo de terras raras para os Estados Unidos e outros parceiros, enquanto o governo Trump evitaria elevar as tarifas acumuladas sobre produtos chineses acima do nível definido na reunião de Busan, em outubro de 2025. Pequim defenderia a manutenção do acordo até o fim do governo Trump, enquanto Washington preferiria uma extensão de seis meses.
Também estão entre os resultados possíveis a redução das tarifas para níveis considerados padrão, com US$ 30 bilhões em exportações de cada país, além de acordos sobre aviões, componentes da Boeing e produtos agrícolas. Uma primeira discussão sobre segurança em inteligência artificial e ajustes na linguagem sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio também podem ocorrer.
Trump e Xi ainda devem voltar a se encontrar em novembro, em Shenzhen, e em dezembro, em Miami. Para o CSIS, porém, as reuniões devem administrar a competição entre as duas potências, sem representar a criação de um modelo de liderança conjunta ou de um chamado “G2”.
A análise afirma que a distribuição de poder está mais fragmentada, as alianças tradicionais passam por mudanças e atores não estatais ganharam importância. Por isso, questões como desequilíbrios macroeconômicos, riscos da inteligência artificial, mudanças climáticas e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio não devem ocupar o centro das negociações.
Pequim também deve usar fóruns como a Organização de Cooperação de Xangai (SCO) e a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial (WAICO) para ampliar sua visão de governança internacional. Xi deverá levar executivos de empresas de tecnologia chinesas, embora o CSIS veja o risco de eles não terem espaço suficiente para apresentar suas capacidades.
A ausência de acordos ambiciosos, na avaliação do centro de estudos, não significaria necessariamente fracasso. Avanços pontuais no comércio, na tecnologia ou em temas diplomáticos já poderiam ser apresentados pelos dois governos como resultados positivos. Ainda assim, o CSIS considera que a cúpula deve funcionar principalmente como mecanismo de contenção da rivalidade, sem responder à dimensão dos desafios globais.








