O Comitê Olímpico Internacional (COI) está incentivando modalidades esportivas de alto rendimento a criar protocolos mais robustos de saúde mental para atletas de elite. A proposta também inclui exames de rastreamento precoce para identificar sinais de sofrimento psicológico e ampliar o acesso a atendimento especializado.
A iniciativa busca enfrentar a ideia de que competidores de alto nível são “mentalmente inabaláveis” diante das exigências do esporte. Entre os fatores que podem aumentar a vulnerabilidade estão o excesso de treinamento, lesões graves, pressões por desempenho, esgotamento físico e emocional, cobranças públicas e abusos nas redes sociais.
Rastreamento e proteção
A recomendação é aplicar questionários breves em momentos estratégicos, como no início das temporadas, depois de grandes eventos, durante lesões significativas e na transição de carreira ou aposentadoria. O objetivo é reconhecer sinais iniciais e encaminhar os atletas para suporte antes que a situação evolua para uma crise.
O COI ressalta que o rastreamento deve ocorrer em ambiente ético e confidencial. As avaliações não podem ser usadas para punir, afastar ou excluir competidores de equipes e competições. A finalidade é exclusivamente oferecer cuidado e suporte ao bem-estar.
Especialistas também alertam para o risco de estigma e para o receio de que informações pessoais sejam usadas contra os atletas. Por isso, questionários não devem orientar decisões baseadas em avaliações superficiais.
Em ambientes comunitários e amadores sem profissionais qualificados, a recomendação é não realizar o rastreamento. Nesses casos, devem ser priorizadas ações de conscientização sobre saúde mental, capacitação de treinadores, redução de estigmas e planos para responder a incidentes críticos.
O desafio apontado é transformar os ambientes de treinamento em espaços capazes de prevenir fatores de estresse associados à alta competição e romper a cultura de silêncio em torno da saúde psicológica dos atletas.








