O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou o afastamento de Leandro Almada, diretor de Inteligência da Polícia Federal. A decisão também afastou o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e foi divulgada nesta terça-feira (08/09).
Almada ficou conhecido por integrar o grupo de policiais federais criado para investigar a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018. Ele comandou a Superintendência da PF no Rio de Janeiro entre 2023 e 2024 e também ocupou o mesmo posto no Amazonas e na Bahia.
A decisão de Mendonça relaciona o afastamento à produção de relatórios de inteligência que, na avaliação do ministro, teriam ultrapassado as atribuições legais da PF. Os documentos analisavam decisões do próprio Mendonça, a atuação do advogado-geral da União, Jorge Messias, e o trabalho de delegados e agentes da corporação.
Mendonça afirmou que os relatórios teriam sido usados para fazer “monitoramento e coleta dirigida” sobre ele e Messias. A decisão não declara que Almada tenha elaborado ou determinado pessoalmente a produção dos documentos, mas aponta indícios sobre o grau de conhecimento e uma possível participação dos responsáveis pela área de inteligência.
Almada ocupa a Diretoria de Inteligência Policial desde 2024. Para o ministro, caberia ao órgão supervisionar a elaboração e a divulgação dos relatórios. Mendonça determinou que a Corregedoria da PF investigue as circunstâncias da produção dos documentos. Rodrigues e Almada podem responder a processos administrativos, conforme o resultado das apurações.
Investigação sobre Marielle
No caso Marielle, Almada comandou a chamada investigação da investigação, voltada a examinar o trabalho realizado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e os motivos que teriam contribuído para a falta de identificação e punição dos responsáveis.
Em 2024, a PF apontou que a Polícia Civil fluminense teria atuado deliberadamente para garantir a impunidade dos autores e mandantes. Os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão foram apontados como mandantes, enquanto o ex-PM Ronnie Lessa teria executado o crime. A investigação também indicou que Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio, teria atrapalhado as apurações. Os irmãos Brazão e Barbosa negam envolvimento.
Julgamento no STF
O afastamento de Almada e Andrei Rodrigues está em análise na Segunda Turma do STF. Kássio Nunes Marques e Luiz Fux votaram pela manutenção da medida. O julgamento foi suspenso após pedido de vistas de Gilmar Mendes.
A decisão ocorre em meio à crise no STF iniciada depois que Mendonça retirou o sigilo de relatórios da PF sobre supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. O caso Marielle está sob relatoria de Moraes.









