PORTLAND, MAINE — Michael Tuohey, então agente de atendimento ao cliente de uma companhia aérea, ajudou Mohammad Atta e Abdul Aziz al Omari a fazer o check-in no Aeroporto Internacional de Portland, no Maine. Os dois embarcariam no voo 11 da American Airlines, que depois atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
Outros três aviões também foram envolvidos nos ataques: um atingiu a Torre Sul, outro o Pentágono e um quarto caiu na Pensilvânia. Cerca de 3.000 pessoas morreram.
Naquela manhã, Atta e al Omari chegaram meia hora antes do voo. Tuohey verificou as passagens de papel para saber se tinham sido compradas recentemente ou pagas em dinheiro, situações que poderiam levantar alertas. Os bilhetes, porém, haviam sido adquiridos semanas antes, com cartões de crédito, e eram de primeira classe.
“Eles nunca chegaram a esse próximo nível. Segui todas as orientações, fiz o meu trabalho”, disse Tuohey.
As lembranças após os ataques
Depois do 11 de Setembro, as falhas da inteligência americana foram analisadas, os procedimentos nos aeroportos foram reformulados e novas leis de segurança foram adotadas nos Estados Unidos. Tuohey continuou no emprego por mais três anos.
Após deixar a companhia U.S. Airways, ele passou a ter dificuldades para lidar com as lembranças. Disse que via Atta dentro de carros e corria para casa quando alguém entrava em sua rua. A esposa também percebeu que ele ficava sentado no carro estacionado na entrada ou permanecia no banho sem notar o tempo passar.
Aos 80 anos, Tuohey está aposentado e vive no Maine. Ele foi diagnosticado com um transtorno dissociativo e fez cerca de seis meses de terapia, nos quais revivia os acontecimentos daquele dia. Ao fim do tratamento, afirmou que deixou de ver Atta e voltou a se sentir “normal”.
“Meu instinto estava certo, mas havia leis, havia leis contra a prática de discriminação por perfil”, afirmou. Para Tuohey, o fato de não ter seguido a intuição continua sendo uma fonte de dúvidas sobre o que poderia ter acontecido.









