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Bancada bolsonarista chega a 44 cadeiras no Senado, mas não controla impeachments
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Bancada bolsonarista chega a 44 cadeiras no Senado, mas não controla impeachments

Grupo terá maioria entre os senadores em exercício a partir de 2027, mas precisará negociar para aprovar medidas no Congresso.

A bancada associada ao bolsonarismo terá 44 dos 81 senadores em exercício a partir de 2027, segundo levantamento da cientista política Beatriz Rey, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. O grupo, porém, não alcançará sozinho os 54 votos necessários para aprovar o impeachment de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Outros 24 senadores foram classificados como ligados ao campo lulista, enquanto 13 são considerados independentes dos dois grupos. Das 54 cadeiras disputadas neste domingo (4/10), 30 foram vencidas por candidatos apoiados diretamente por Flávio Bolsonaro. Candidatos apoiados por Lula conquistaram 16 vagas, e outros oito eleitos não se enquadram diretamente nos dois campos.

Estratégia da direita

O resultado foi impulsionado pelo PL, que venceu 19 das 54 cadeiras em disputa, e pelo Novo, que conquistou três assentos. Em alguns Estados, como Distrito Federal e São Paulo, todos os senadores eleitos ficaram alinhados à liderança da direita.

O professor de Ciência Política da Universidade de Brasília Carlos Machado avaliou que o bolsonarismo coordenou candidaturas para a disputa majoritária do Senado antes da esquerda e dos partidos de centro. “Eles entenderam o quão estratégico era ter o controle do Senado e trabalharam para isso”, afirmou.

No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro e Bia Kicis foram eleitas e se juntarão a Damares Alves. Em São Paulo, Guilherme Derrite e André do Prado venceram Marina Silva e Simone Tebet. Também houve duas vitórias bolsonaristas em Mato Grosso do Sul, com Capitão Contar e Reinaldo Azambuja, e em Santa Catarina, com Carolina de Toni e Carlos Bolsonaro.

Para Beatriz Rey, centro e esquerda não coordenaram candidaturas de forma suficiente e acabaram disputando parcelas semelhantes do eleitorado. “Faltou entender que a disputa em 2026 era diferente da de 2022”, disse.

Impeachments e PECs

Até o início de setembro, havia ao menos 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF apresentados ao Senado, conforme o presidente da Casa, Davi Alcolumbre. O principal alvo da direita é Alexandre de Moraes.

Alcolumbre não colocou nenhum dos pedidos para avançar e afirmou, em setembro: “Isso não é normal”. Com a nova composição, a direita terá mais capacidade de pressionar pela abertura dos processos, mas ainda precisará negociar.

A bancada bolsonarista também ficará a cinco votos dos 49 necessários para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Entre os temas que podem ser apresentados está a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos.

Relação com a Presidência

Os especialistas avaliam que o Senado de 2027 poderá dificultar um eventual quarto mandato de Lula. Beatriz Rey citou como exemplo a rejeição da indicação de Jorge Messias ao STF, derrota que marcou a primeira recusa do Senado a uma indicação presidencial em quase 100 anos.

Se Flávio Bolsonaro for eleito presidente, a relação com a Casa poderá ser mais confortável, mas ele ainda precisará negociar com outros partidos e não terá controle absoluto do Senado.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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