São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00% São Paulo 23°C 18° / 28°
A notícia como ela é
Carmen Portinho uniu luta pelo voto, engenharia e habitação popular
Mundo

Carmen Portinho uniu luta pelo voto, engenharia e habitação popular

Pioneira do feminismo brasileiro, ela foi a primeira urbanista do país e criou projetos voltados à cidadania e à moradia popular.

Carmen Velasco Portinho (1903-2001) foi uma das pioneiras do feminismo no Brasil e a primeira brasileira a obter o título de urbanista. Sua trajetória combinou a defesa do voto feminino, a valorização do trabalho das mulheres e projetos de habitação popular.

Nascida em Corumbá, hoje Mato Grosso do Sul, Portinho se mudou com a família para o Rio em 1911. Ainda adolescente, aproximou-se do movimento feminista. Ao lado de Bertha Lutz, participou da luta pelo sufrágio feminino, conquistado pelas brasileiras em 1932. Em 1922, as duas fundaram a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Portinho também defendeu o acesso das mulheres à educação e às profissões. Em 1925, formou-se em engenharia na antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, tornando-se a terceira mulher brasileira a concluir esse curso. No ano seguinte, entrou para o quadro de engenheiros da prefeitura do Rio e passou a dar aulas no Colégio Dom Pedro 2º.

Em 1930, criou a União Universitária Feminina, voltada à inserção das mulheres nas profissões liberais. Em 1936, concluiu uma pós-graduação em urbanismo na então Universidade do Distrito Federal. Para obter o título, apresentou um anteprojeto para a futura capital federal, com uma cidade em formato de transatlântico e capacidade prevista para 2 milhões de pessoas.

Urbanismo e habitação popular

Em 1937, Portinho criou a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas. Depois de uma temporada na Europa em 1945, quando acompanhou trabalhos de reconstrução de cidades afetadas pela Segunda Guerra, passou a defender o urbanismo e a arquitetura como instrumentos de transformação social.

Ela criou e dirigiu o Departamento de Habitação Popular da Prefeitura do Distrito Federal. Também colaborou com o arquiteto Affonso Eduardo Reidy no Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Morais, conhecido como Pedregulho. A proposta incluía escola, posto de saúde e outros serviços reunidos no mesmo espaço.

Especialistas citados no relato associam o projeto a uma visão de cidade que considerava, além do trabalho, as tarefas de cuidado e a rotina familiar. A atuação de Portinho ajudou a consolidar no Brasil a ideia de habitação popular com qualidade arquitetônica e integração social.

A carreira dela no funcionalismo municipal terminou em 1962, quando antecipou a aposentadoria por divergências políticas com o comando da prefeitura do Rio. Portinho ainda foi responsável pela construção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e dirigiu por 20 anos a Escola Superior de Desenho Industrial, considerada a primeira escola de design da América Latina.

Em 1987, participou da entrega da Carta das Mulheres aos Constituintes, documento com propostas para a Constituição de 1988. Em 2022, foi declarada oficialmente patrona do urbanismo no Brasil.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5