A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva chega à metade com dificuldades para ampliar sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro. No cenário de segundo turno, Lula aparecia com 45% e o senador tinha 43% em 16 de agosto. Agora, os dois estão empatados numericamente, com 44%.
A expectativa do entorno do presidente era obter alívio com a aprovação de medidas como o fim da taxa das blusinhas e o avanço do projeto que encerra a escala 6x1. A crise no Supremo Tribunal Federal, porém, deslocou o debate para o escândalo do Banco Master e pode aumentar o sentimento de rejeição ao sistema político.
O caso envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, e mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes. Os diálogos indicariam pedidos de orientação e de intervenção em favor de Vorcaro. Também aparecem referências a pagamentos de um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes. O escritório nega irregularidades, e Moraes não se manifestou sobre o caso.
Lula defendeu nas redes sociais que as investigações tenham integridade e confiança, além de afirmar que a democracia não pode ficar refém de vazamentos seletivos. O presidente também disse que os sistemas político e judiciário precisam de reformas profundas.
A crise levou Moraes a acusar, em despacho, o ministro André Mendonça de possíveis crimes relacionados à condução de investigações sobre o Banco Master e o escândalo do INSS. O documento foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin. Em pronunciamento ao lado de Lula, Fachin defendeu o fim do Inquérito das Fake News, criado em 2019, e afirmou que nenhuma autoridade está acima da Constituição ou da lei.
Congresso e pesquisas
Para uma fonte próxima à campanha, o conflito no Supremo também retirou espaço do caso Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido recursos de Vorcaro a pedido de Flávio. O senador nega irregularidades e afirma que sua relação com o banqueiro era comercial.
O governo tenta melhorar a avaliação de Lula com redução do imposto de renda para a classe média, crédito para entregadores, nova versão do Desenrola e expansão dos programas Gás do Povo e Luz do Povo. Mesmo assim, a aprovação passou de 45% no início de fevereiro para 47%, enquanto 50% desaprovam a gestão.
No primeiro turno, Lula tinha 39% das intenções de voto em janeiro e agora registra 38%. No segundo turno, passou de 46% para 45%. A cientista política Luciana Santana atribui a estabilidade à cristalização do eleitorado e avalia que o fim da escala 6x1 pode alterar o cenário.
A proposta foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisa passar em dois turnos no plenário. A campanha também pretende intensificar atividades em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Em São José do Rio Preto, o PT programou um ato com Lula, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad.
As investigações sobre Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, também seguem no centro dos ataques adversários. Ele é alvo de três inquéritos abertos entre 30 de julho e 4 de agosto, que apuram suspeitas de tráfico de influência. Lula classificou as acusações como ilações e afirmou que, se o filho cometeu algum ilícito, deverá responder como qualquer cidadão brasileiro.









