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Crise entre ministros ameaça confiança pública no Supremo, avalia pesquisadora
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Crise entre ministros ameaça confiança pública no Supremo, avalia pesquisadora

Mariana Llanos afirma que desgaste do STF pode pesar em uma eleição presidencial apertada e afetar seu papel institucional.

A crise entre Alexandre de Moraes e André Mendonça ampliou o risco de desgaste da confiança pública no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo avaliação da cientista política Mariana Llanos, pesquisadora sênior do German Institute for Global and Area Studies (GIGA), em Hamburgo, na Alemanha.

Moraes acusou Mendonça, com base em relatórios da inteligência da Polícia Federal, de possíveis atos de improbidade administrativa, crimes de responsabilidade e abuso de autoridade no Inquérito das Fakes News. O ministro também apontou quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a grupos políticos em investigações sobre o escândalo do INSS e o Banco Master.

A reação ocorreu após Mendonça pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação sobre Moraes. O pedido citou possíveis irregularidades na relação entre o ministro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, com base em material da Polícia Federal.

Fachin solicitou esclarecimentos a Moraes, Mendonça, ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. O presidente do Supremo deu prazo de cinco dias para as manifestações. Na sexta-feira (4/9), retirou o caso do Inquérito das Fakes News e defendeu o encerramento da investigação.

Efeito sobre as eleições

Para Llanos, o momento aumenta a preocupação porque o Brasil vive uma disputa presidencial acirrada entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. No primeiro turno, Lula aparece com 38% das intenções de voto, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em um eventual segundo turno entre os dois, há empate em 44%.

A pesquisadora avalia que um resultado muito apertado poderia exigir uma atuação mais relevante dos tribunais como árbitros da decisão final. Nesse cenário, a perda de credibilidade do STF poderia comprometer sua legitimidade para atuar como contrapeso a outras instituições.

Llanos afirma que o Supremo já provoca polarização e é visto por uma grande maioria como detentor de poder excessivo. Ao mesmo tempo, havia reconhecimento de sua importância para a proteção da democracia. Na avaliação dela, a desconfiança aumentou desde que o caso Banco Master veio à tona.

A cientista política também disse que o escândalo vem sendo usado na disputa eleitoral. Segundo ela, aliados de Lula defendem que ninguém está acima da lei, enquanto bolsonaristas ampliam os ataques a Moraes.

Acusações e documentos

Moraes tornou públicos relatórios da Polícia Federal que mencionam supostas irregularidades de Mendonça em investigações ligadas ao INSS. O despacho cita, entre outras condutas, interferência na direção de investigações policiais, irregularidades em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de alvos por motivos pessoais e políticos.

Mendonça havia divulgado outro relatório, com mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro. O material registra interações com um contato identificado como Alexandre de Moraes e menciona um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado por Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

O escritório informou que consultou Moraes sobre possíveis impedimentos legais para o contrato. As mensagens também indicam que Vorcaro teria pedido ajuda ao ministro junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

Em 15 de novembro de 2025, dois dias antes de ser preso na Operação Compliance Zero, Vorcaro teria perguntado a Moraes: "Acha que segunda já tenho que estar fora?"

A Procuradoria-Geral da República pediu a nulidade da investigação da Polícia Federal e criticou procedimentos adotados por Mendonça. Fachin afirmou que os fatos devem ser apurados antes de uma decisão do plenário sobre o pedido de anulação do relatório.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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