HONG KONG — Um tribunal condenou a Dow Jones, editora do Wall Street Journal, por impedir que a jornalista Selina Cheng assumisse a presidência da Hong Kong Journalists Association (HKJA). A empresa foi absolvida da acusação de demissão ilegal da repórter.
A decisão foi tomada na quinta-feira (10) pelo magistrado principal Cheung Chi-wai David. Segundo ele, a Dow Jones violou a Portaria de Sindicatos ao tentar impedir Cheng de exercer o direito de se tornar dirigente de um sindicato registrado em junho de 2024.
A jornalista afirmou que foi demitida em julho de 2024, depois de se recusar a cortar relações com a HKJA e deixar de defender a liberdade de imprensa. O magistrado disse que a empresa exigiu autorização para que ela concorresse à presidência da entidade e indicou que ela não continuaria empregada caso assumisse o cargo.
Cheng foi eleita em 2024 para liderar a associação. Após a audiência, afirmou que o caso deu visibilidade à supressão sindical em Hong Kong e que empregadores não podem exigir consulta prévia antes de funcionários ingressarem em sindicatos. “Se os direitos trabalhistas dos repórteres não forem suficientemente protegidos ou quando seus direitos forem violados e não aplicados pela lei, então não poderemos mais trabalhar com segurança como repórteres”, disse.
A segunda acusação envolvia o encerramento do contrato de Cheng em 17 de julho de 2024. O magistrado concluiu que não era possível descartar, além de dúvida razoável, a hipótese de a demissão ter ocorrido durante uma reestruturação corporativa genuína.
A Dow Jones se declarou inocente das duas acusações, que poderiam resultar em multa máxima de HK$ 100.000 (US$ 12.750) cada. A sentença será definida posteriormente. A empresa não respondeu imediatamente a um pedido de comentário após o veredicto.
Cheng cobria o setor automotivo da China para o Journal em Hong Kong. Em 2024, o Wall Street Journal anunciou mudanças nas operações asiáticas, transferindo de Hong Kong para Singapura o “centro de gravidade na região”.








