HONG KONG — O Hong Kong Fashion Fest encerrou a terceira edição com oito programas oficiais, organizados por seis entidades do setor, e 12 mil visitantes internacionais ligados ao comércio, além de profissionais de imprensa e da indústria. O evento foi criado a partir de uma diretriz anunciada pelo governo local em 2023 para transformar a cidade em um polo de design de moda na Ásia.
Sob o tema Rhythm of the Heart, a programação tentou aproximar compradores profissionais e consumidores. A abertura teve o desfile Virtuose: The Artistry of Couture 2026, no Hong Kong Palace Museum, com criações do espanhol Guillermo Décimo, do vietnamita Phan Huy e dos locais Vivian Luk e Tigerstrolling. A apresentação reuniu 39 looks e foi aberta pela modelo Christina Chung, embaixadora da Chanel na região, sob supervisão de Rosanna Law, secretária de Cultura, Esportes e Turismo de Hong Kong.
Marcas locais em pontos de venda
A principal novidade foi o Wear's HK, projeto da Clothing Industry Training Authority que levou vinte marcas de designers locais a lojas temporárias em seis shoppings. No Harbour City, as peças foram exibidas ao lado da Balenciaga. No Pacific Place, dividiram espaço com a Harvey Nichols.
Drew Lai, comissária de indústrias culturais e criativas nomeada pelo governo, disse que a proposta é aproximar consumidores de marcas que dependiam principalmente de ateliês e mostras fechadas. O festival ocorreu ao mesmo tempo que a Centrestage, feira de negócios conhecida entre compradores internacionais, mas menos popular entre o público geral.
A combinação permitiu que as marcas apresentassem sua identidade, negociassem com compradores e recebessem avaliações de consumidores no mesmo período. A estratégia também busca aproveitar o crescimento do Guochao, fenômeno associado à preferência de jovens chineses por marcas com identidade cultural do país.
Conexão com o mercado chinês
Segundo a iiMedia Research, o mercado ligado ao Guochao deve superar 3 trilhões de yuans até 2028, valor equivalente a cerca de R$ 2,3 trilhões na cotação atual. No segmento de brinquedos colecionáveis, o varejo doméstico movimentou 67,7 bilhões de yuans em 2025, alta de 45,4% em relação ao ano anterior, conforme o China Toy and Juvenile Products Industry Development Report.
Hong Kong também tenta manter sua função de entreposto comercial. A cidade recebeu 23,2 milhões de visitantes estrangeiros em 2025. No primeiro semestre de 2026, o fluxo turístico cresceu 13%, segundo o Hong Kong Tourism Board.
A proximidade com Shenzhen e Dongguan, centros de manufatura têxtil no sul da China, é outro elemento da estratégia. De acordo com Lai, compradores e investidores podem encontrar designers, negociar em Hong Kong e visitar fábricas no continente na mesma viagem.
Nas próximas edições, o governo pretende avaliar o festival por vendas, engajamento nas redes sociais, conversão em lojas físicas e novos pedidos de compradores estrangeiros. A expectativa é ampliar o Wear's HK e incluir designers que ainda não participaram do projeto.








