A revista britânica The Economist criticou a atuação do Supremo Tribunal Federal e do ministro Alexandre de Moraes em um artigo publicado na quinta-feira 10. O texto relaciona o cenário da corte à proximidade da eleição geral, marcada para 4 de outubro, e afirma que o tribunal deixou de atuar apenas como defensor da democracia para representar uma ameaça a ela.
A publicação cita o processo contra Jair Bolsonaro e afirma que Moraes tomou decisões questionáveis ao relatar ações sobre a trama golpista. Também diz que o ministro menosprezou uma proposta de Código de Ética para o STF, que previa, entre outras medidas, a prestação de contas sobre rendimentos obtidos fora do tribunal.
Inquérito das Fake News
O artigo aborda ainda o Inquérito das Fake News. Moraes deixou a relatoria nesta semana por decisão de Edson Fachin, presidente do STF. Para a revista, o sigilo e a duração do inquérito dificultam saber quantas contas em redes sociais foram censuradas.
A publicação também questiona a atuação simultânea de Moraes como vítima, acusador e juiz no caso. “Os abusos tornaram-se mais frequentes”, afirma o texto, ao criticar o uso do inquérito para blindar o processo.
Relações com o Banco Master
Outro ponto citado é o contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O artigo afirma que o relatório da Polícia Federal sobre a relação do banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes registra a autorização para a emissão de cartões de crédito em nome dos filhos do magistrado.
O mesmo documento, conforme a publicação, mostra que Moraes editou o texto que assegurou um pagamento milionário ao escritório de sua mulher. Ela havia firmado contrato de consultoria com Vorcaro para o banco.
Moraes e Viviane Barci de Moraes negaram qualquer ilegalidade nas relações entre o escritório e o Banco Master. O artigo também menciona que Edson Fachin propôs um código de ética após a divulgação dos vínculos, enquanto Moraes teria debochado da iniciativa.








