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Por que helicópteros podem desaparecer dos radares sem sofrer acidentes
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Por que helicópteros podem desaparecer dos radares sem sofrer acidentes

Voos baixos, relevo e falta de monitoramento específico ajudam a explicar perdas de contato com helicópteros.

Helicópteros podem deixar de aparecer nos radares sem que tenham sofrido um acidente. A baixa altitude, obstáculos no terreno e o tipo de operação estão entre os fatores que dificultam a detecção dessas aeronaves.

O tema ganhou destaque após o Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina confirmar, nesta terça-feira (22/9), a morte do cantor Rick, da dupla Rick & Renner, em um acidente com um helicóptero. A corporação informou que ele estava entre as cinco pessoas encontradas próximas aos destroços. A aeronave havia saído de Porto Belo com destino a São Joaquim.

Voos por instrumentos e visuais

De acordo com o engenheiro aeronáutico João Paulo Eguea, professor na Universidade de São Paulo (USP), helicópteros operam com frequência perto do solo e podem decolar ou pousar em aeroportos, cidades e áreas sem preparação específica, como terrenos de terra ou gramados.

Os voos podem ocorrer por instrumentos ou visualmente. No primeiro caso, os órgãos de controle de tráfego aéreo acompanham o deslocamento durante todo o trajeto, que deve seguir o plano de voo. Mudanças na rota precisam de autorização da torre.

Já no voo visual, a aeronave depende da visibilidade do ambiente externo. Segundo o consultor aeronáutico, empresário e piloto Raul Marinho, diretor-técnico da Associação Brasileira de Aviação Geral, helicópteros executivos que transportam passageiros sobre o continente operam nesse regime em 95% dos casos.

Nessas situações, não há monitoramento específico, salvo quando a aeronave entra em espaços controlados ou restritos. Pode existir um serviço de informações de voo, mas sua utilização não equivale ao acompanhamento contínuo por órgãos de controle.

O que faz o sinal desaparecer

Os sistemas de controle usam ondas de rádio. Alguns radares identificam a aeronave pela reflexão dessas ondas; outros recebem dados transmitidos pelo transponder.

A detecção fica mais difícil quanto menor é a altitude. Construções altas, montanhas, vegetação e outros obstáculos podem bloquear ou enfraquecer o sinal. Uma aeronave também pode deixar de ser rastreada ao pousar em uma área sem infraestrutura aeroportuária, mesmo estando em segurança.

A perda de comunicação por rádio pode ter relação com a baixa altura ou com falha no equipamento. Por isso, a expressão desaparecer do radar não indica necessariamente acidente ou outro problema. A preocupação aumenta quando não há comunicação por um período prolongado com a aeronave ou seus ocupantes.

Em emergências, o helicóptero conta ainda com o ELT, transmissor localizador de emergência obrigatório nas aeronaves. O dispositivo pode ser acionado pelo piloto por meio do transponder ou deve funcionar imediatamente após um impacto. Se não for acionado, pode ser porque não houve emergência, porque não ocorreu acidente ou porque o equipamento falhou.

Dados sobre acidentes

O Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) registra 182 acidentes de helicópteros no país desde 2016. Até agora, foram 15 neste ano, uma média de 17 ocorrências por ano.

A frota é de 1686 aeronaves. Segundo Marinho, esse volume de acidentes está na média em comparação com outros países. Levantamento da Associação Brasileira de Aviação Geral indica que 29% dos acidentes de helicóptero terminam com mortes.

Entre os fatores mais frequentes estão o descontrole da aeronave durante o voo, problemas no motor e choques com obstáculos na decolagem. Helicópteros de uso privado aparecem na liderança entre os envolvidos, seguidos pelos utilizados por empresas de táxi aéreo.

No táxi aéreo, as empresas precisam acompanhar os voos por algum meio, como equipamentos de monitoramento ou radar. Para aeronaves privadas, essa obrigação não existe.

Eguea afirma que a segurança deve ser analisada considerando o número de ocorrências por 100 mil horas de voo. Ele cita o Relatório Anual de Segurança Operacional 2025, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para afirmar que os índices brasileiros são muito bons nessa relação. No táxi aéreo feito com helicópteros, acrescenta, acidentes e mortes são eventos pouco frequentes.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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