O presidente de Israel, Isaac Herzog, concedeu perdão a Elor Azaria, soldado condenado por atirar e matar um palestino ferido e caído no chão na Cisjordânia ocupada, em 2016. A decisão elimina o registro criminal do militar.
Herzog anunciou a medida no sábado (19), afirmando que as circunstâncias do caso, o tempo transcorrido e o pesar manifestado por Azaria permitem que ele comece um novo capítulo. Na época do incidente, Azaria cumpria o serviço militar obrigatório e atuava como socorrista militar.
Imagens mostraram o soldado se aproximando de um palestino suspeito de um ataque com faca e disparando contra a cabeça dele enquanto estava ferido. Abdel Fattah al-Sharif era um dos dois homens acusados de esfaquear outro soldado israelense em Hebron.
Repercussão em Israel
Azaria foi condenado a 18 meses de prisão. A pena poderia chegar a 20 anos, mas ele cumpriu nove meses antes de ser libertado. Críticos consideraram a punição branda.
O caso dividiu a sociedade israelense e gerou preocupações sobre a politização das Forças de Defesa de Israel. A repercussão também contribuiu para a renúncia do então ministro da Defesa, Moshe Ya’alon. Políticos e grupos de direita, entre eles o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, defenderam o perdão na época.
As Forças de Defesa de Israel classificaram o episódio como uma “grave violação dos valores, da conduta e dos padrões de operações militares”. Em uma carta enviada em julho, o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que o pedido não deveria ser aceito.
Zamir disse que Azaria não havia assumido responsabilidade nem demonstrado arrependimento e que não existiam circunstâncias pessoais relevantes para justificar a medida. Ya’alon também criticou a decisão e afirmou que o soldado não alegou ter agido por estar em perigo, mas porque considerava que o palestino merecia morrer.
O ministro da Defesa, Israel Katz, apoiou o perdão e o classificou como uma “decisão humana e apropriada”.









