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Narges Mohammadi relata abusos e isolamento em livro de memórias
Foto: Majid Asgaripour/WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental) via REUTERS
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Narges Mohammadi relata abusos e isolamento em livro de memórias

Ganhadora do Nobel da Paz descreve espancamentos, negligência médica e os riscos de denunciar o sistema prisional iraniano.

A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi relata, em seu novo livro de memórias, episódios de espancamento, confinamento solitário e negligência médica durante o período em que esteve presa no Irã. Parte dos relatos se refere à prisão de Evin, em Teerã.

Mohammadi, de 54 anos, passou grande parte das últimas duas décadas encarcerada por seu ativismo contra o regime iraniano, longe dos filhos gêmeos, Ali e Kiana. Ela foi libertada em maio, sob licença médica temporária, e afirmou que continua recebendo tratamento.

Escritos enviados clandestinamente

Durante a prisão, amigas e companheiras de detenção ajudaram a retirar fragmentos de seus textos. Em uma ocasião, uma amiga tentou levar três folhas de papel durante uma visita, mas o material foi confiscado pelas forças de segurança. Em outro episódio, mais de 20 cadernos foram perdidos depois que Mohammadi foi espancada e transferida à força.

Os textos deram origem ao livro “A Woman Never Stops Fighting”, lançado neste mês em alguns países europeus. Na obra, ela detalha os maus-tratos e identifica responsáveis pelas agressões.

“Para documentar essas coisas, é melhor falar abertamente sobre os métodos deles, expor e revelar a tortura que praticam”, disse Mohammadi.

Segundo o Comitê Nobel da Noruega, durante sua detenção mais recente, entre dezembro e maio, ela sofreu agressões que colocaram sua vida em risco. Relatos citados pelo comitê apontam que Mohammadi foi golpeada com bastões de madeira e cassetetes, arrastada pelos cabelos e ferida na cabeça. Ela também levou chutes na região pélvica e genital.

A ativista afirmou que ficou em confinamento solitário por dois meses, sem poder ligar para familiares, receber visitas ou falar com advogados. Em março, teve um episódio com suspeita de ataque cardíaco e perdeu 20 quilos. Em abril, sua fundação alertou que a vida dela corria perigo iminente.

Depois de ser hospitalizada por 18 dias, recebeu permissão temporária para voltar para casa. A fundação informou que ela sofria de uma doença cardíaca associada a ansiedade e estresse crônicos. A agência estatal semioficial Tasnim negou que o estado de saúde tivesse piorado.

Ativismo e família

Mohammadi afirmou que o confinamento solitário e a demora no atendimento médico são instrumentos usados para destruir física e psicologicamente os presos. Ela também reconheceu o risco de represálias, mas disse considerar um dever continuar se manifestando.

A ativista foi condenada a mais de 44 anos de prisão e a 154 chicotadas, segundo sua fundação. Ela também relacionou sua trajetória ao movimento “Mulher, Vida, Liberdade”, que ganhou força após a morte de Mahsa Jhina Amini, de 22 anos, detida pela polícia da moralidade do Irã no outono de 2022.

Mohammadi disse que o livro é uma homenagem a quem luta pela democracia e também registra a experiência de uma mãe escrevendo da prisão, enquanto os filhos vivem no exílio, na França.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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