A Anistia Internacional identificou 87 autoridades iranianas que, segundo a organização, devem ser investigadas por possíveis crimes contra a humanidade cometidos durante a repressão aos protestos de 2022. Entre os nomes citados está Ali Khamenei, então líder supremo do Irã, além de integrantes das Forças Armadas e do Ministério do Interior.
A investigação aponta que diferentes unidades da Guarda Revolucionária, da polícia e das forças Basij atuaram sob estruturas hierárquicas de comando. Documentos oficiais, ordens internas, registros de reuniões e depoimentos de testemunhas foram usados para reconstruir a organização das operações.
Mortes e detenções
O relatório documenta 377 mortes relacionadas às manifestações, incluindo 56 crianças. A maioria, de acordo com a Anistia, foi morta pelas forças de segurança durante ações para dispersar os protestos entre setembro e dezembro de 2022. Também houve mortes sob custódia, depois de libertações ou em circunstâncias que indicariam responsabilidade do Estado.
A repressão analisada ocorreu após a morte de Mahsa Amini, jovem curda de 22 anos que morreu sob custódia da polícia da moralidade em setembro de 2022. Os protestos deram origem ao movimento conhecido como “Mulher, Vida, Liberdade”.
Violência sexual
A organização reuniu evidências de 45 casos de estupro e outras formas de violência sexual atribuídos a integrantes das forças de segurança. Mulheres, homens, meninas e meninos estão entre as vítimas mencionadas.
Os abusos descritos incluem estupros com objetos, agressões físicas e violência psicológica. Mulheres e meninas também teriam sido submetidas a revistas invasivas, retirada forçada de roupas e outras formas de abuso durante a detenção.
A investigação durou quatro anos e reúne mais de mil páginas. A Anistia afirma que as forças de segurança receberam ordens para adotar uma resposta “firme e severa”. Um documento vazado, segundo a organização, orientava os agentes a agir de maneira “impiedosa” e a chegar ao ponto de causar mortes.
A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, disse que o material revela “diversas camadas de comando e coordenação”. A entidade pede à ONU a criação de um mecanismo internacional de Justiça para investigar e responsabilizar os envolvidos. O relatório também reúne evidências de desaparecimentos forçados, prisões arbitrárias e perseguições políticas, de gênero e étnicas.








