JERUSALÉM — Israel anunciou nesta terça-feira (8) que vai fechar o consulado britânico em Jerusalém Oriental. A decisão foi apresentada como resposta aos planos do Reino Unido, da França e do Canadá de bloquear importações vindas de assentamentos israelenses na Cisjordânia.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, também informou que o Reino Unido deixará de participar da missão de coordenação liderada pelos Estados Unidos para Gaza. Funcionários britânicos, entre eles o ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn, e outros cidadãos serão impedidos de entrar em Israel.
Saar disse ter coordenado as medidas com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ele acusou o Reino Unido de interferir nas próximas eleições israelenses, previstas para o final de outubro. O ministro classificou como “mentiras ultrajantes” as declarações de Ed Miliband sobre uma suposta limpeza étnica de palestinos por Israel.
O consulado britânico em Jerusalém Oriental é acreditado junto à Autoridade Palestina na Cisjordânia. O governo britânico já havia aplicado sanções contra assentamentos na região em junho e, em 2025, reconheceu um Estado palestino como forma de promover a solução de dois Estados.
Reação dos países
Miliband afirmou que o Reino Unido pretende agir contra a expansão dos assentamentos e disse que novas regras entrarão em vigor em seis a nove meses. Ele também anunciou sanções imediatas contra vários colonos extremistas, além de medidas contra a instituição financeira Al-Qard Al-Hassan, administrada pelo Hezbollah, e a retomada de sanções econômicas ao Irã.
O primeiro-ministro britânico Andy Burnham, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro canadense Mark Carney afirmaram que as ações buscam proteger a solução de dois Estados. Os três disseram que levarão o tema à Assembleia Geral das Nações Unidas ainda em setembro.
Ministros das Relações Exteriores de outros nove países, incluindo Dinamarca, Noruega, Polônia, Espanha e Suécia, reafirmaram apoio a um Estado palestino coexistindo pacificamente com Israel. O Canadá afirmou que os assentamentos na Cisjordânia comprometem esse objetivo.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que as sanções podem desestabilizar a Cisjordânia e afirmou que os Estados Unidos não bloquearão importações dos assentamentos. O rabino-chefe do Reino Unido, Sir Ephraim Mirvis, criticou os planos, classificando-os como “um dia sombrio para os judeus britânicos”.
A principal produção dos assentamentos é agrícola, com tâmaras, frutas cítricas, ervas e vinho. As medidas devem ter efeito principalmente simbólico sobre o comércio bilateral. Israel anunciou também planos para construir mil novas casas na Cisjordânia, enquanto o projeto de assentamentos E1 permanece entre os principais pontos de preocupação.








