A imprensa chinesa demonstra preferência por Luiz Inácio Lula da Silva, mas evita críticas diretas a Flávio Bolsonaro diante da possibilidade de uma vitória do candidato do PL. A avaliação é de Kerry Allen, analista de Mídia da China do BBC Monitoring, que acompanha veículos chineses e produz relatórios sobre a cobertura local.
A eleição presidencial do próximo domingo (4/10) é tratada como relevante pela China por causa do peso do Brasil no comércio, na produção agrícola, nos Brics e na política regional. Segundo Allen, o presidente Xi Jinping costuma incluir o Brasil na chamada “diplomacia de grandes países”, reservada a nações consideradas influentes.
Cobertura dos candidatos
Allen afirma que o Global Times descreve Lula como o político de esquerda mais influente do Brasil, com apoio popular, experiência de governo e imagem internacional positiva. O jornal também associa o candidato a políticas de transferência de renda, promoção do emprego e bem-estar social.
Flávio Bolsonaro aparece ligado à base política de Jair Bolsonaro, formada por grupos evangélicos conservadores, setores agrícolas e comerciais, eleitores contrários ao Partido dos Trabalhadores e defensores de políticas de segurança mais rígidas. Para o Global Times, a segurança é um dos principais temas que podem favorecer o candidato de direita.
O jornal considera a disputa equilibrada. Lula teria vantagem entre eleitores preocupados com renda e estabilidade social, enquanto Flávio Bolsonaro teria maior apelo entre aqueles que priorizam o combate ao crime e a ordem social. A publicação também questiona a idade e a saúde de Lula.
O Reference News classificou a eleição como uma das mais polarizadas da história do Brasil. Já o Global Times afirmou que o resultado terá impacto no cenário político brasileiro e em toda a região.
Relação com Pequim
Veículos chineses também discutem se uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, visto como próximo de Donald Trump, poderia afastar Brasília de Pequim. A NetEase citou declarações atribuídas ao candidato de que as relações comerciais e econômicas com a China não mudariam caso ele fosse eleito.
A publicação afirma que o mercado chinês é essencial para as exportações brasileiras e que setores do agronegócio, governadores de estados produtores e a bancada ruralista defendem a manutenção dos vínculos com a China. O texto também apresenta investimentos da State Grid Corporation of China, da BYD e da GWM no Brasil.
Na avaliação da NetEase, os interesses econômicos devem limitar mudanças na política externa brasileira, independentemente de o próximo presidente estar à esquerda ou à direita. Allen diz que Pequim espera preservar relações positivas com qualquer vencedor.
Controle da imprensa
A China ocupa o antepenúltimo lugar no ranking de liberdade de imprensa de 2026 da Repórteres Sem Fronteiras, à frente apenas de Eritreia e Coreia do Norte entre 180 países. O Brasil aparece na 52ª posição e os Estados Unidos, na 64ª.
A organização afirma que mais de 100 jornalistas estão detidos na China. Entre os principais veículos do país estão a agência Xinhua, a China Central Television, a China National Radio, os jornais China Daily, People’s Daily e Global Times, além dos portais NetEase e Sohu.









