O governo do Irã negou nesta segunda-feira, 14, participação direta nos confrontos entre os rebeldes houthis, no Iêmen, e a Arábia Saudita. Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, afirmou que “O Irã não interfere nos assuntos iemenitas”.
Os houthis anunciaram o lançamento de dezenas de mísseis balísticos e drones contra alvos militares no sul da Arábia Saudita. A ação provocou alertas da Defesa Civil nas cidades de Khamis Mushait e Abha. O porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, disse que a base aérea Rei Khalid, em Khamis Mushait, foi atingida.
Segundo Saree, a ofensiva foi uma resposta aos ataques sauditas no Iêmen. Ele afirmou que Riade realizou mais de 300 ataques aéreos nos últimos cinco dias em território iemenita.
Impacto humanitário e estratégico
A retomada dos combates ocorre após anos de guerra entre os houthis e forças apoiadas pela Arábia Saudita. Os rebeldes tomaram Saná em 2014, e o governo internacionalmente reconhecido transferiu sua sede para Aden. No ano seguinte, a Arábia Saudita liderou uma coalizão militar em apoio ao governo. Uma trégua mediada pela ONU em 2022 havia reduzido os confrontos.
A agência da ONU para migrações informou que 86 mil pessoas deixaram suas casas desde a retomada dos combates, aumento de 10 mil em apenas um dia. A ONU também registrou que mais de 2 mil pessoas fugiram do Iêmen para o Djibouti desde quinta-feira. Em 2025, a organização estimou que 17 milhões de iemenitas enfrentavam dificuldades para obter alimentos e que 1 milhão estava em situação de fome extrema.
O Irã apoia politicamente os houthis e fornece armas e tecnologia ao grupo, mas nega controlar militarmente suas ações. Baqaei disse que os combatentes são independentes e tomam decisões de acordo com os próprios interesses.
Os houthis também declararam bloqueio marítimo contra a Arábia Saudita e assumiram, na semana passada, o controle da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab el-Mandeb, além das áreas de Mocha e da ilha de Perim. Com o Estreito de Ormuz bloqueado pelo Irã, Bab el-Mandeb ganhou importância para as exportações sauditas de petróleo.
Petróleo e tensão diplomática
A combinação dos ataques e dos riscos nas rotas marítimas pressionou o mercado de petróleo. O Brent subiu 2,8%, para US$ 107,54 por barril, e o WTI avançou 2,9%, para US$ 102,93.
O mercado também reagiu ao fechamento temporário do oleoduto saudita East-West, após um ataque com drones na sexta-feira, 11. Autoridades sauditas atribuíram a ação a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque. Segundo compradores e operadores, a interrupção pode reduzir em até 4% a oferta mundial de petróleo se não for resolvida rapidamente.
Uma reunião entre o Irã e países do Golfo sobre a navegação pelo Estreito de Ormuz foi adiada nesta segunda-feira. O encontro discutiria o futuro da passagem e um possível acordo semelhante ao firmado entre Irã e Omã. Teerã acusou Riade de usar o conflito no Iêmen como pretexto para postergar as negociações.
Na Europa, o chefe da Organização de Energia Atômica iraniana, Mohammad Eslami, foi impedido de participar da conferência anual da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena. O Irã acusou os Estados Unidos de pressionar a Áustria. Washington confirmou que se opôs a uma exceção para a entrada de Eslami, considerado uma pessoa submetida a sanções.








