NOVA YORK — Vinte e cinco anos após os ataques de 11 de setembro de 2001, familiares de vítimas, socorristas e sobreviventes ainda convivem com consequências pessoais e de saúde deixadas pela tragédia. Os atentados mataram cerca de 3.000 pessoas e transformaram a política de segurança nacional dos Estados Unidos.
Entre as vítimas estava um bombeiro de 35 anos do Corpo de Bombeiros de Nova York. Ele morreu no desabamento do World Trade Center, depois de ser enviado temporariamente ao Lower Manhattan. Seu filho, Scott Larsen, tinha 4 anos na época.
Hoje, Larsen, de 29 anos, trabalha no mesmo quartel de Woodside, no Queens, onde o pai havia servido. Ele é a terceira geração de bombeiros da família. O nome do pai está em uma placa memorial e em um caminhão, enquanto fotos ocupam espaços do quartel.
“Não há um único dia em que eu venha aqui e não olhe para ele”, disse Larsen. De acordo com dados da Associação Internacional de Bombeiros, 58 filhos de bombeiros do FDNY mortos nos ataques também ingressaram no Corpo de Bombeiros de Nova York. O irmão mais novo de Larsen, nascido dois dias após os atentados, espera entrar na corporação no ano que vem.
Saúde dos trabalhadores
Após os ataques, dezenas de milhares de policiais, bombeiros, funcionários de serviços públicos e trabalhadores da construção civil atuaram nos escombros do World Trade Center. A estrutura, conhecida como “a pilha”, chegava a cerca de cinco andares de altura, e os trabalhos de busca e recuperação duraram meses.
Michael Crane era diretor médico da Con Edison, empresa de energia elétrica de Nova York, e acompanhava as equipes. Entre suas funções estava garantir o uso correto de respiradores, que muitas vezes ficavam obstruídos pela poeira.
Atualmente, Crane é diretor médico do Programa de Saúde do World Trade Center, no Hospital Mount Sinai. Financiado pelo governo, o programa oferece atendimento a mais de 150 mil socorristas e sobreviventes que moravam, trabalhavam ou estudavam na área atingida.
Até 30 de junho, os participantes haviam recebido cerca de 85 mil atestados por condições relacionadas ao World Trade Center. Cerca de metade dos registros estava ligada à inalação ou ingestão de poeira tóxica, e aproximadamente 30% envolviam câncer. Mais de 9.000 socorristas acompanhados pelo programa morreram desde os ataques. As autoridades afirmam que é difícil determinar qual foi o papel do 11 de setembro nessas mortes.
Dúvidas após os ataques
Michael Tuohey também ficou ligado aos acontecimentos daquela manhã. Funcionário de atendimento ao cliente de uma companhia aérea, ele ajudou Mohammad Atta e Abdul Aziz al Omari a fazer o check-in no Aeroporto Internacional de Portland, no Maine. Os dois embarcaram no voo 11 da American Airlines, que atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
Os homens chegaram meia hora antes da partida. Tuohey conferiu as passagens, que haviam sido compradas com antecedência, pagas com cartão de crédito e emitidas para a primeira classe. Ele disse ter percebido um desconforto em Atta, mas concluiu que ninguém gostaria de estar em um aeroporto às 5h30 da manhã.
Depois dos ataques, falhas de inteligência foram analisadas, o Departamento de Segurança Interna foi criado e os procedimentos de segurança nos aeroportos foram modificados. Tuohey, hoje aposentado aos 80 anos, continuou questionando se poderia ter agido de outra forma. “Não dei ouvidos ao meu instinto”, afirmou.








