VENEZUELA — Cem dias depois dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país em 24 de junho, moradores das áreas afetadas ainda enfrentam problemas de saúde, deslocamento e sofrimento emocional. A recuperação continua exigindo abrigo, assistência médica e acompanhamento psicológico.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirma ter realizado mais de 7 mil consultas em Caracas e La Guaira desde o começo da operação. Dores musculares e ósseas responderam por 21,7% dos atendimentos. Em seguida, apareceram infecções respiratórias, com 21,4%, e doenças de pele, com 12,4%.
As equipes também acompanharam mais de 880 pessoas com doenças crônicas, entre elas hipertensão, diabetes, asma e epilepsia. De acordo com profissionais da organização, parte dos sintomas físicos está associada ao estresse acumulado após os terremotos.
“Muitas pessoas chegam às consultas com dores musculares, dores de cabeça recorrentes, problemas gastrointestinais ou insônia”, afirmou Milagritos Valderrama, coordenadora médica da MSF para a resposta à emergência. Segundo ela, esses sinais podem refletir sofrimento emocional e psicológico.
Atendimento psicológico
Durante o período, a MSF prestou atendimento em saúde mental a 8.147 pessoas em Caracas e La Guaira. O trabalho incluiu atividades coletivas de psicoeducação, consultas individuais e sessões de primeiros socorros psicológicos.
Uma das pacientes foi Elvira, de 76 anos, que ficou presa sob os escombros de um prédio. Após o resgate, ela passou a relatar dificuldades para dormir, crises de choro e medo constante. “A psicóloga me ajudou a superar o nervosismo. Quero voltar a ser quem eu era”, disse.
A MSF afirma que a recuperação vai exigir a continuidade dos serviços de saúde mental e de atenção primária, principalmente enquanto parte da população permanecer em alojamentos temporários. A organização também informou ter distribuído cerca de 860 mil litros de água potável, além de instalar cinco sistemas de tratamento e 127 filtros.
Os balanços oficiais mais recentes do governo venezuelano registram 6.509 mortos. Organizações locais e estimativas independentes, porém, apontam que o total de vítimas fatais pode superar 10 mil.







