Os subsídios adotados pelo governo federal não impediram a alta dos combustíveis desde o início da guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel, em 28 de fevereiro deste ano. De acordo com os dados semanais da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), as altas chegaram a 14,45% no caso do diesel S10. O etanol foi o único combustível com redução, de 12,74%.
A gasolina comum subiu 3,98% no período analisado, passando de R$ 6,28 para R$ 6,53. O óleo diesel teve aumento de 8,62%, de R$ 6,03 para R$ 6,55. O levantamento considera os preços médios de revenda coletados semanalmente pela ANP em todo o país.
Medidas do governo
Entre as ações anunciadas para conter os preços estão subsídios, redução de tributos e medidas voltadas à importação e à produção. Em 12 de março, o governo concedeu subvenção direta de R$ 0,32 por litro de diesel a produtores e importadores e anunciou a isenção de PIS/Cofins sobre a importação e a comercialização do combustível, com redução direta de R$ 0,32 por litro.
Em 8 de abril, os Decretos nº 12.923/2026 e 12.924/2026 estabeleceram alíquota zero de PIS/Cofins para o biodiesel importado e comercializado, com economia estimada de R$ 0,15 por litro de biodiesel puro. Em julho, uma Medida Provisória instituiu subvenção de R$ 0,44 por litro para a gasolina.
Em 9 de setembro, Luiz Inácio Lula da Silva assinou a Medida Provisória 1.391/2026, que autorizou nova subvenção de R$ 1 por litro de óleo diesel de uso rodoviário. Também foi determinada a redução temporária de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina, entre 10 de setembro e 9 de outubro de 2026. No mesmo período, o etanol hidratado ficou com alíquota zero desses tributos, gerando alívio de R$ 0,19 por litro.
No último dia 9, uma medida provisória autorizou crédito extraordinário de R$ 6,6 bilhões para custear a subvenção à importação e à produção de combustíveis. Desse total, R$ 5,607 bilhões foram destinados ao diesel de uso rodoviário e R$ 998 mil, à produção e à importação de combustíveis derivados de petróleo.
Por que os preços continuam pressionados
Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo (Sindecon-SP), citou a dependência de importações, especialmente no diesel, além de tributos, custos de distribuição, margens de revenda, repasse parcial ou defasado dos subsídios e mudanças na oferta e na demanda internacional.
“O subsídio reduz parte do impacto, mas pode não compensar toda a elevação dos custos”, afirmou Oliveira Jr. Segundo ele, a diferença entre a queda do etanol e a alta do diesel S10 mostra que os combustíveis mais dependentes do mercado internacional permanecem mais pressionados.
Claudio Felisoni, professor da FIA Business School, também afirmou que os subsídios reduzem parte do impacto da guerra, mas não eliminam o problema. Ele apontou a dependência brasileira das importações de diesel, os custos de transporte e de refino e a possibilidade de aumento do gasto público caso o conflito se prolongue.
O diesel chegou ao maior preço no fim de março, quando era vendido a R$ 7,45, e estava em R$ 6,55 na última semana analisada. Em março, a inflação foi de 0,88%, enquanto o grupo transportes subiu 1,64%. A gasolina aumentou 4,59% e o diesel, 13,9%.
Petróleo e eleição
A votação do primeiro turno das Eleições de 2026 está marcada para o próximo dia 4, e Lula tenta a reeleição. Os preços atuais dos combustíveis estão acima dos registrados no começo da guerra, segundo o levantamento da ANP.
Antes do conflito, o barril de petróleo tipo brent era negociado perto de US$ 70. Com a escalada dos ataques, passou de US$ 120. Na tarde da última sexta-feira (18/9), estava em US$ 103,72, com queda de 1,05% em 24 horas.
As cotações também são influenciadas por restrições à navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam de 20% a 25% de todo o combustível fóssil consumido no mundo. A rota é a principal saída do petróleo produzido no Golfo Pérsico, região que inclui Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e Irã.








