SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras a enviar à Polícia Civil de São Paulo relatórios sobre Karina Ferreira da Gama e o Instituto Conhecer Brasil. A decisão foi tomada neste domingo (13), após pedidos apresentados pela polícia desde maio e inicialmente encaminhados à Justiça paulista.
Karina preside o instituto e controla a Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A polícia investiga se recursos públicos destinados ao ICB por meio do programa WiFi Livre SP foram aplicados na execução do contrato ou direcionados para outra finalidade, incluindo a produção do filme.
O ministro determinou que o Coaf entregue os documentos nos termos solicitados pelo delegado responsável em maio. A requisição considera movimentações financeiras desde 20 de junho de 2024, quando foi assinado o contrato entre o ICB e a Prefeitura de São Paulo. Também inclui operações atípicas e comunicações de transações suspeitas ligadas a Karina, ao instituto e a empresas subcontratadas.
Contrato e apurações
A investigação começou com suspeitas relacionadas a um acordo de R$ 108 milhões para implantar, operar e manter 5.000 pontos de internet gratuita em comunidades da capital paulista. Entre os pontos analisados estão pagamentos antecipados, possíveis pagamentos em duplicidade, notas fiscais consideradas irregulares e a instalação de menos pontos do que o previsto.
A polícia também apura a aplicação de emendas parlamentares destinadas ao ICB, incluindo recursos indicados pelo deputado federal Mário Frias. Dino determinou que a investigação conduzida em São Paulo passe a ser centralizada pela Polícia Federal, sob supervisão do STF.
A Prefeitura de São Paulo contesta a existência de irregularidades no contrato e diz que nenhum recurso municipal foi usado no filme. A administração afirma ainda que o programa continua funcionando, com 3.200 pontos instalados.






