A ala progressista do Partido Democrata ampliou a pressão sobre Hakeem Jeffries, líder do partido na Câmara, depois de conquistar espaço em disputas importantes durante o verão. Parlamentares e candidatos questionam se a liderança está respondendo às demandas da base liberal e já discutem possíveis mudanças no comando da bancada.
Quase todos os progressistas consultados avaliam que Jeffries ainda deve chegar à presidência da Câmara em janeiro, caso os democratas recuperem a maioria. Mesmo assim, uma nova leva de candidatos eleitos nas primárias ainda não decidiu se apoiará sua candidatura.
Entre os democratas com quem Jeffries já se reuniu ou pretende conversar estão Adam Hamawy, de Nova Jersey; Claire Valdez e Darializa Avila Chevalier, de Nova York; e Melat Kiros, do Colorado. Hamawy disse que a liderança atual falha em enfrentar o momento e afirmou que aguardará conhecer as opções antes de decidir seu voto.
Medicare for All e política externa
A insatisfação aumentou depois que Jeffries declarou não apoiar o projeto “Medicare for All”. A deputada Pramila Jayapal, autora da proposta, disse ter ficado “muito confusa e surpresa” com a posição e afirmou manter conversas diretas com o líder.
Jeffries também é questionado por progressistas sobre a política do partido em relação a Israel. Jared Moskowitz, da Flórida, ganhou uma função em uma subcomissão de Relações Exteriores. Parlamentares disseram que a mudança foi articulada por Brad Sherman, e não por Jeffries. Gregory Meeks classificou a transferência como procedimento padrão e afirmou que o comitê é equilibrado sobre a questão.
Disputas na Califórnia e em Michigan
Na Califórnia, a deputada Zoe Lofgren apoiou uma candidata moderada contra a senadora estadual Aisha Wahab na disputa pela cadeira de Eric Swalwell. Wahab havia recebido o endosso do partido estadual e liderado duas primárias, mas não alcançou os 50% necessários para evitar um segundo turno. Ela venceu a disputa e tomou posse na Câmara na semana passada.
Em Michigan, progressistas criticam o Comitê de Campanha Democrata para o Congresso por ainda não incluir Will Lawrence na lista de candidatos prioritários. Lawrence venceu uma primária com três candidatos, mas enfrenta resistência do Congressional Black Caucus após comentários feitos em 2024 sobre líderes políticos negros. A ausência na lista pode limitar o impulso de arrecadação para a disputa contra o republicano Tom Barrett.
Rebelião dentro da bancada
A tensão também envolve uma proposta para punir parlamentares que votem contra a liderança em moções processuais. Em reunião fechada na quarta-feira (2), Greg Casar, presidente do Caucus Progressista, defendeu a liberdade de dissidência. Debbie Wasserman Schultz argumentou que os democratas não deveriam agir por conta própria no plenário.
O Justice Democrats informou que nove candidatos apoiados pelo grupo venceram as primárias neste ciclo, o melhor resultado da organização. Para os progressistas, o desempenho mostra que a base busca mudanças; para centristas, Jeffries precisa afastar o partido de uma agenda de extrema esquerda para conquistar cadeiras em distritos republicanos.
Avila Chevalier afirmou que ainda não tomou uma decisão final sobre apoiar Jeffries. O voto para líder, segundo ela, definirá o tom de sua atuação no Congresso e deverá representar sua comunidade.








