Um manifesto articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) reúne a adesão de 2.650 entidades representativas de classe e pede que o Supremo Tribunal Federal (STF) examine, em sessão pública, fatos relacionados à crise institucional no país.
O documento afirma que a sociedade espera uma decisão urgente da Corte e defende que o tribunal preste contas, com julgamentos transparentes e fundamentados. O manifesto diz que o STF é o guardião da Constituição, mas não está dispensado de responder à sociedade.
Adesões e receios
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Sindicato Nacional da Indústria de Tratores, Caminhões, Automóveis e Veículos Similares (Sinfavea) confirmaram a assinatura.
Também foram procuradas entidades dos setores de automóveis, indústria têxtil, construção, mercado imobiliário, financeiro, agronegócio, comércio, cooperativas e advocacia. Algumas organizações ligadas à agroindústria e ao setor têxtil demonstraram preocupação com o período eleitoral. Entre os receios estão a associação do manifesto ao pleito, a interpretação do movimento como ação política e possíveis retaliações em processos julgados pelo STF.
A Fiesp organiza a mobilização. O presidente da entidade, Paulo Skaf, não respondeu aos contatos. A federação também não se manifestou.
A articulação ocorre após a Polícia Federal revelar 52 mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e enviadas a um número identificado como pertencente ao ministro Alexandre de Moraes. As mensagens mencionam aeronaves e contratos ligados ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Mudança no texto
Uma versão inicial, chamada de “Manifesto pela Justiça Brasileira”, defendia que autoridades suspeitas ou acusadas fossem afastadas da análise de processos relacionados a elas. Essa proposta desagradou a parte do empresariado e foi abandonada.
A versão atual pede que o Plenário do Supremo examine os fatos e tome uma decisão “sem subterfúgios e sem corporativismo”. Empresários envolvidos na organização afirmam que o objetivo é evitar o agravamento da crise e que não cabe ao setor privado solicitar o afastamento de ministros da Corte.
A Fiesp já promoveu outras mobilizações em momentos de crise. Em 2022, lançou o manifesto “Em defesa da democracia e da Justiça”, sob o comando de Josué Gomes da Silva. Em 2021, publicou “A Praça é dos Três Poderes”, quando Skaf presidia a entidade. Em 2015, lançou o movimento “Não Vou Pagar o Pato”, contra o aumento de impostos.








