ROMA — Giorgia Meloni completa nesta sexta-feira, 4, 1.413 dias como primeira-ministra da Itália e supera o recorde de permanência de Silvio Berlusconi. A marca foi celebrada em Bari, na região da Apúlia, com um evento do partido Irmãos da Itália às margens do mar Adriático que também serviu para lançar a campanha para as eleições legislativas de 2027.
Meloni, de 49 anos, ocupa o cargo desde outubro de 2022 e foi a primeira mulher a chefiar o governo italiano. Em uma publicação no X, ela afirmou que recebe o marco com gratidão e responsabilidade. A primeira-ministra também disse que os resultados alcançados não representam uma autorização para deixar de cumprir novas tarefas.
O país teve 68 governos nos últimos 80 anos, em meio a crises e deserções políticas. A coalizão liderada por Meloni reúne Irmãos da Itália, Força Itália e Liga, partido de Matteo Salvini. O grupo aprovou cerca de 300 leis e decretos-leis, muitas vezes com o uso de votos de confiança.
Balanço do governo
Um livreto de 30 páginas preparado pelo Irmãos da Itália destaca as medidas que o partido considera principais realizações da gestão. Entre elas estão a queda do desemprego para 5,8%, conforme dados de julho; a redução de 21 bilhões de euros em impostos para pessoas físicas; e a diminuição de 80% na chegada de imigrantes irregulares.
O governo também é apontado por ter estabilizado as contas públicas e reduzido o custo do endividamento nos mercados. Além disso, jornais italianos destacaram o apoio contínuo de Meloni à Ucrânia, apesar da oposição de Salvini ao envio de ajuda militar a Kiev.
A avaliação, porém, é contestada por especialistas. Veronica De Santis, professora de Economia da Universidade Luiss, afirmou que a estabilidade deve ser um instrumento, e não o objetivo, e disse que o crescimento esperado para este ano é de cerca de 0,6%.
Críticas também vieram de Flavia Perina, da La Stampa, e Alessandra Sardoni, do canal La7. Elas questionaram o que Meloni fará nos meses anteriores à eleição, que pode ocorrer em abril de 2027, e apontaram que a comunicação do governo teria substituído ações concretas.
Maurizio Landini, líder da CGIL, afirmou que os salários não aumentaram, que a gasolina ficou mais cara, que a precariedade cresceu e que o sistema de saúde piorou. As declarações ampliam a pressão sobre a primeira-ministra enquanto ela tenta transformar a permanência no poder em uma plataforma para a próxima disputa eleitoral.








