A creatina está presente naturalmente no leite materno, mas ainda faltam estudos para avaliar a segurança da suplementação durante a amamentação. Por causa dessa ausência de dados, o LactMed recomenda evitar o uso, exceto quando houver prescrição ou orientação de um profissional de saúde.
Produzida pelo próprio organismo, a creatina participa do sistema que fornece energia às células, principalmente aos músculos. Ela também pode ser obtida por alimentos de origem animal e por suplementos, geralmente na forma de creatina monohidratada.
A presença natural da substância no leite não permite concluir que uma dose extra seja segura. Um bebê que mama exclusivamente no peito recebe, em média, cerca de sete miligramas de creatina por dia nos primeiros seis meses de vida. Essa quantidade corresponde a cerca de 10% das necessidades diárias dos bebês.
O que ainda não foi esclarecido
O LactMed, banco de dados do governo dos Estados Unidos sobre medicamentos e outras substâncias durante a lactação, informa que não há estudos em humanos capazes de medir quanto a creatina no leite aumenta depois que a mãe começa a usar o suplemento.
Também não existem informações publicadas suficientes sobre os níveis da substância no organismo de bebês amamentados por mães que tomam creatina nem sobre possíveis efeitos para essas crianças.
Para Ana Maria Melo, pediatra do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, “não existe descrição de efeitos adversos decorrentes da suplementação de creatina”. A médica, porém, ressalta que o tema não foi suficientemente estudado: “O uso de creatina é descrito como relativamente seguro, porém há poucas publicações sobre o assunto”.
A orientação exige atenção também aos chamados pré-treinos. Diferentemente da creatina isolada, esses produtos podem combinar cafeína, estimulantes, vitaminas, ervas e outros ingredientes, o que dificulta ainda mais a avaliação dos riscos durante a amamentação.
Assim, não é possível afirmar que a suplementação faça mal aos bebês, mas também não há dados suficientes para garantir que ela não ofereça riscos. A recomendação é buscar avaliação profissional antes do uso.







