William Marcel Murad, diretor-executivo da Polícia Federal, assumiu interinamente a chefia da instituição após o afastamento de Andrei Passos Rodrigues. Segundo na hierarquia da corporação, ele afirmou nesta terça-feira, 8, ter “total confiança” na gestão do diretor-geral afastado.
A permanência provisória de Murad é vista pela corrente contrária a Andrei como uma possibilidade de reduzir novos embates com o Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de ser amigo do diretor-geral, ele é considerado um nome técnico por esse grupo.
Reações dentro da corporação
Delegados ligados a Andrei avaliam entregar os cargos em protesto contra a decisão do ministro André Mendonça, do STF, que destituiu o chefe da Polícia Federal. Os superintendentes Fábio Galvão, do Rio de Janeiro, e Carlos Henrique Cotta Dangelo, de Mato Grosso do Sul, foram os que se manifestaram com mais intensidade em grupos de delegados.
A maior parte dos integrantes, porém, prefere não se pronunciar publicamente. Também não há interesse amplo em repetir a nota conjunta divulgada no mês passado em defesa de Andrei, durante a tensão entre a Polícia Federal e o gabinete de André Mendonça.
Divergências e investigação
A Associação dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) ainda não se posicionou sobre o afastamento. O presidente da entidade, Edvanir Paiva, faz oposição a Andrei por divergências relacionadas a questões corporativas e à política interna da instituição.
Na decisão, Mendonça citou declarações de Paiva ao tratar da suspeita de que Andrei teria vazado relatórios de inteligência internos para o ministro Alexandre de Moraes. Os documentos foram usados por Moraes para pedir a investigação de Mendonça por abuso de autoridade.
O texto da decisão também reproduz manifestações de Paiva sobre possíveis irregularidades no uso desses relatórios, que normalmente têm circulação interna, em processos criminais.








