SÃO PAULO — A segurança pública se tornou um dos principais temas da campanha presidencial. Em pesquisa BTG/Nexus divulgada no último dia 8, a criminalidade apareceu como a maior preocupação dos eleitores, com 35%, à frente de saúde, com 31%, corrupção, com 23%, e educação, com 17%.
Flávio Bolsonaro (PL) defendeu linha dura, tolerância zero, redução da maioridade penal, castração química para criminosos sexuais e pena mínima de oito anos para roubos de celulares. Ele também prometeu “guerra aos narcoterroristas” e afirmou que, em áreas dominadas pelo crime organizado, haveria cadeia ou morte.
Romeu Zema (Novo) propôs a construção de um presídio de segurança máxima na Amazônia para líderes de facções. Renan Santos (Missão) defendeu “passe livre” para policiais matarem quem resistir à prisão e prometeu um “banho de sangue” contra chefes de organizações criminosas. Ronaldo Caiado (PSD) apresentou propostas mais detalhadas, mas também apoia medidas de endurecimento penal.
Quatro dos principais candidatos defendem reduzir a maioridade penal para 16 anos e classificar PCC e CV como organizações terroristas. As exceções citadas são Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Augusto Cury (Avante).
Criminalidade e avaliação do governo
Apesar da preocupação, as mortes violentas intencionais caíram de 50 448 em 2020 para 40 775 em 2025, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A taxa de 19,1 mortes por 100 000 habitantes, porém, continua entre as maiores do mundo.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil registrou 848 feminicídios e 36 233 vítimas de estupro ou estupro de vulnerável, segundo o Ministério da Justiça. Roubos e furtos de celulares chegaram a 831 000 ocorrências em 2025. Os golpes digitais cresceram 430% desde 2018 e alcançaram 2,26 milhões de casos no ano passado.
Pesquisa Meio/Ideia divulgada na quarta-feira 9 mostrou que 21% dos entrevistados consideram ótimo ou bom o trabalho do governo Lula na área. Para 45%, a atuação é ruim ou péssima; 31% classificaram como regular.
Em maio, Lula lançou o Programa Brasil contra o Crime Organizado, com ações voltadas ao financiamento das facções, ao tráfico de armas, à lavagem de dinheiro e à investigação de homicídios. No último dia 2, a PEC da Segurança Pública avançou em uma comissão do Senado. A proposta amplia os poderes da União no combate ao crime. Caso seja reeleito, Lula promete recriar o Ministério da Segurança Pública.
Especialistas citados defendem mais inteligência, investigação e rastreamento financeiro, além de investimentos em tecnologia e reintegração de egressos. Em 2024, os estados gastaram 52,2 bilhões de reais com polícias militares, 20,2 bilhões com polícias civis e 2,5 bilhões com polícias científicas, segundo a ONG Justa.
O sistema prisional tinha 731 000 detentos, embora comportasse pouco mais de 500 000 pessoas, segundo o World Prison Brief. Só em 2026, consumiu mais de 11 bilhões de reais dos cofres públicos. A avaliação apresentada por pesquisadores é que o encarceramento em massa não reduz necessariamente a violência e pode fortalecer as facções dentro das prisões.








