O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou que o plenário da Corte analise o pedido de investigação sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A sessão está marcada para terça-feira, 15.
A decisão ocorreu depois de uma sequência de medidas envolvendo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Na terça-feira 8, o ministro André Mendonça afastou Rodrigues do cargo. O ministro afirmou suspeitar de vazamentos de informações sigilosas e de uma ação para atrapalhar as investigações sobre o Banco Master.
A Segunda Turma do STF começou a analisar o afastamento. Gilmar Mendes pediu vista e questionou a legitimidade do partido Novo para apresentar o pedido. Luiz Fux e Kassio Nunes Marques votaram pela manutenção da medida. Dias Toffoli declarou-se impedido em processos relacionados ao Master.
No dia seguinte, Flávio Dino anulou individualmente a decisão e reconduziu Rodrigues ao cargo. Depois, Fachin suspendeu as decisões de Dino e Mendonça sobre o afastamento do diretor da PF. O presidente do Supremo também retirou de Moraes o inquérito das fake news.
Mensagens e contrato
As investigações sobre fraudes no Banco Master encontraram mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. O material inclui referências a um contrato de 129 milhões de reais entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro. Em uma mensagem, Vorcaro escreveu: “É o contrato mais importante que temos”.
Também há registros de uma conversa na véspera da prisão do banqueiro. Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país e pediu ajuda para bloquear “as maldades” contra ele. As mensagens enviadas pelo ministro foram configuradas para visualização única.
O relatório da Polícia Federal também cita Rodrigues em mensagens de Vorcaro. “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra”, escreveu o banqueiro. Segundo o texto, Vorcaro tenta fechar um acordo de delação premiada.
Fachin afirmou que fatos que levantem dúvidas sobre o funcionamento do tribunal devem ser esclarecidos e, se necessário, resultar na responsabilização dos envolvidos. Dos dez ministros que devem participar da sessão, Toffoli não deve votar por ter se declarado impedido.








