A sessão do Supremo Tribunal Federal que analisa a possibilidade de investigar Alexandre de Moraes deixou de se concentrar apenas nas acusações contra o ministro. Nas redes, os debates sobre impedimentos, relatoria e regras do tribunal ganharam espaço e passaram a dividir a atenção com o caso.
Entre 8h e 13h59, o tema registrou 73.200 menções de cerca de 29.000 autores, segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX), feito com dados do Talkwalker. As publicações somaram 579,3 mil interações e tiveram alcance potencial de 7,5 bilhões de pessoas. O maior movimento ocorreu pouco antes das 13h, seguido de queda após a suspensão da sessão para o horário eleitoral.
Ministros no centro da disputa
Kássio Nunes Marques declarou-se impedido por sua atuação anterior na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dias Toffoli informou suspeição por motivos pessoais. A relatoria de Edson Fachin, presidente do STF, também se tornou um dos principais assuntos e chegou a representar 16% das publicações monitoradas na meia hora das 12h.
Moraes foi o ministro mais citado entre 8h e 12h55, com 230.475 menções e 1,2 milhão de interações. Ele liderou 56 dos 60 intervalos de cinco minutos analisados. André Mendonça, porém, atingiu 7.862 menções em cinco minutos perto das 12h50, o maior pico entre os ministros acompanhados.
O resultado ocorreu após confrontos entre Mendonça e Moraes. O termo “golpe” apareceu em 8% da base analisada, e 90% dessas publicações tinham tom negativo. Gilmar Mendes também entrou no embate ao responder a Mendonça com referências a “pixuleco” e “boneco eleitoral”.
Eleição aparece nas discussões
Os assuntos mudaram ao longo da manhã. Às 10h, 25% das publicações citavam o pedido de investigação ou afastamento de Moraes, enquanto a transmissão e a segurança da sessão representavam 29% da conversa. Na meia hora das 11h30, suspeições e impedimentos chegaram a 35%. Depois das falas de Moraes, às 12h30, as discussões sobre a participação dele no julgamento subiram de 3% para 16%.
O levantamento identificou interpretações diferentes entre perfis políticos. Também houve associação entre os afastamentos de Nunes Marques e Toffoli e mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. O relatório ressalvou que a autenticidade e o contexto das mensagens não foram estabelecidos e que não há culpa definida contra os citados.
Flávio Dino chegou a liderar as menções às 12h15, com 4.391 registros em cinco minutos. A discussão sobre uma possível postergação do julgamento para 23 de setembro também apareceu nas redes.
A eleição foi mencionada em 10% das publicações, inicialmente impulsionadas por Flávio Bolsonaro. Perfis de direita associaram o julgamento à eleição de Flávio e a uma eventual reeleição de Lula. Aliados do presidente interpretaram o pedido de vista de Gilmar como uma derrota da estratégia oposicionista.








