Mensagens sobre depressão, ansiedade e saúde mental em geral foram as que mais convenceram adolescentes e jovens adultos a repensar o uso das redes sociais, segundo o autor sênior de um estudo publicado no JAMA Health Forum. Os alertas fizeram os participantes se sentirem menos inclinados a usar as plataformas e mais informados sobre possíveis consequências.
A pesquisa reuniu pessoas de 13 a 17 anos e de 18 a 29 anos. Elas foram expostas a avisos sobre dependência, imagem corporal negativa, distúrbios do sono, depressão, ansiedade e danos à saúde mental. Nas duas faixas etárias, os participantes avaliaram como eficazes todas as mensagens apresentadas.
Thomas Robinson, professor de pediatria e medicina da Universidade Stanford, afirmou que os alertas sobre fazer pausas voluntárias nas redes sociais tiveram efeito menor. Ele também apontou que o estudo mediu a intenção dos participantes, e não o comportamento efetivamente adotado depois da exposição às mensagens.
Possível caminho para regulamentação
Robinson disse que a pesquisa é a primeira a medir os efeitos de avisos exibidos nas próprias redes sociais. Para ele, os resultados permitem que pais preocupados com o impacto das plataformas considerem pedir a representantes eleitos leis e regras que incluam esse tipo de alerta.
O professor ressaltou que o enfrentamento dos possíveis danos das redes sociais não deve ficar apenas sob responsabilidade de pais e filhos. A discussão ocorre após o acordo firmado pela Meta em agosto, pelo qual a empresa se comprometeu a pagar US$ 18 bilhões para encerrar processos movidos por diversos estados. As ações alegavam que as plataformas foram projetadas para viciar crianças e prejudicar a saúde mental. A empresa não admitiu irregularidades e declarou que a segurança dos adolescentes é uma prioridade.
Para Robinson, o acordo representa um impulso para ampliar a regulamentação e a legislação sobre o tema.
Conversas precisam ser frequentes
A psicóloga clínica Melissa Greenberg, fundadora do Princeton Psychotherapy Center, em Nova Jersey, afirmou que os avisos sozinhos provavelmente não serão suficientes para reduzir o uso das redes sociais. Quando uma mensagem aparece pela primeira vez, pode fazer o jovem parar e refletir, mas o efeito da novidade tende a diminuir com o tempo.
Greenberg defendeu que os alertas sejam acompanhados de conversas específicas. Uma criança pode precisar falar sobre imagem corporal; outra, sobre violência vista na internet. Para ela, esse diálogo deve começar por volta dos 7 ou 8 anos de idade, antes mesmo de a criança usar as plataformas.
Os pais podem perguntar se os filhos já ouviram falar de redes sociais e, caso eles já usem essas plataformas, conversar regularmente sobre a experiência. Além do tempo diante das telas, é importante perguntar sobre o conteúdo consumido e o que atrai ou incomoda a criança.
A psicóloga afirmou que os filhos podem não conseguir explicar que a busca por curtidas está provocando ansiedade ou irritabilidade. Por isso, os adultos devem ajudar a identificar esses efeitos.
Alertas não estimulam rebeldia
Greenberg disse não ter visto, em sua prática, casos em que conversas sobre advertências levassem crianças a usar mais as redes sociais para desafiar os pais. Segundo ela, jovens que desenvolvem dependência podem perder a noção do tempo, mas não necessariamente interpretam o comportamento como uma forma de rebeldia, já que os próprios adultos também usam as plataformas.
A recomendação é combinar os avisos com diálogo contínuo sobre os possíveis prejuízos das redes sociais e com a discussão de medidas junto a autoridades eleitas.








