A bula do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida, recomenda que mulheres que usam anticoncepcionais orais adotem outro método contraceptivo ou acrescentem uma opção de barreira. A orientação considera a possibilidade de redução da eficácia da pílula durante o tratamento.
A tirzepatida pode retardar o esvaziamento do estômago. Com isso, o comprimido permanece mais tempo no órgão antes de chegar ao intestino, onde ocorre a absorção de muitos medicamentos. Vômitos e diarreia associados ao uso do Mounjaro também podem dificultar a absorção dos hormônios contraceptivos.
O que mostram os dados
A pesquisa “Agonistas do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e contração oral”, realizada pela Corsrh, Faculdade de Saúde Sexual e Reprodutiva de Londres, analisou 40 mulheres. O estudo apontou redução de 20% na absorção do etinilestradiol e de 21% na absorção do norgestimato após o uso da tirzepatida.
O endocrinologista Michel Fernandes explica que o tempo maior no estômago pode comprometer a absorção adequada do anticoncepcional. A ginecologista Grazielly Teles acrescenta que vômitos e diarreia podem diminuir a quantidade de hormônios absorvida e, consequentemente, a eficácia do medicamento.
Relato de gravidez durante o tratamento
A empreendedora Amanda Aguiar, de 28 anos, engravidou enquanto fazia tratamento com Mounjaro e usava anticoncepcional. O tratamento durou cerca de três meses, e ela só descobriu a gravidez depois desse período.
Após a confirmação, médicos orientaram Amanda a interromper o injetável à base de tirzepatida. Ela afirmou que foi informada sobre a falta de estudos a respeito dos efeitos do medicamento durante a gravidez. O vídeo publicado por ela sobre a gestação já ultrapassou 11 mil visualizações.
Métodos contraceptivos
Segundo os especialistas, o anticoncepcional oral é o método mais afetado, porque depende da absorção pelo sistema digestivo. Fórmulas que não passam por esse processo não sofrem a mesma interferência.
Ainda assim, Grazielly recomenda o uso de preservativo, masculino ou feminino, ou a combinação com outro método de barreira para reduzir o risco de gravidez não planejada.
A perda de peso também pode favorecer o retorno da fertilidade em mulheres que tinham dificuldades relacionadas à obesidade ou a alterações hormonais. De acordo com Michel Fernandes, o emagrecimento pode influenciar mecanismos hormonais ligados à fertilidade.








