BRASÍLIA — O número de candidatos do Distrito Federal que usam títulos religiosos no nome de urna caiu de 23, em 2022, para 17, em 2026. Entre os concorrentes deste ano, apenas quatro declararam atividade religiosa como profissão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os demais informaram ocupações como empresário, recepcionista e psicólogo, embora também atuem como lideranças religiosas.
Em 2022, três dos 23 candidatos com títulos religiosos haviam declarado a atividade como ocupação principal. A redução também aparece no cenário nacional: o número de candidaturas com termos religiosos no nome de urna recuou 42%.
Estratégias eleitorais
Para Matheus Pestana, cientista político e pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (ISER), ainda não há uma causa única para a mudança. Uma possibilidade é que candidatos deixem de usar o título quando já têm reconhecimento público ou quando a campanha está voltada ao eleitorado religioso.
Outra hipótese é ampliar o alcance da candidatura. O nome religioso pode sinalizar uma identidade, mas também limitar o candidato a um grupo específico de eleitores, segundo Pestana e o cientista político Leandro Gabiati.
A professora Christina Vital, da Universidade Federal Fluminense e coordenadora do LePar/UFF, afirma que a queda não demonstra, por si só, perda de relevância da religião nas eleições. Ela relaciona o movimento à perda de novidade do uso da identidade religiosa como estratégia eleitoral e ao crescimento de candidatos ligados a pautas como Segurança Pública e Justiça.
Os dados do TSE mostram que a participação dessas candidaturas permaneceu em 2,57% do total no Distrito Federal nas duas eleições. A queda no número absoluto acompanhou a redução geral de candidaturas no período.
Para Gabiati, isso indica que a identificação religiosa não perdeu espaço proporcionalmente. O título pode deixar de aparecer na urna quando o candidato já tem capital político por outras vias ou quando calcula que a referência religiosa restringirá seu eleitorado.
Influência além do nome de urna
Os especialistas destacam que os dados não capturam toda a atuação religiosa na política. Igrejas podem apoiar candidatos sem que eles usem títulos religiosos publicamente. Também há candidatos ligados a comunidades religiosas que concorrem individualmente, sem uma estratégia institucional declarada.
Evangélicos são maioria entre as candidaturas religiosas. Christina Vital relaciona esse uso à trajetória de expansão evangélica na política e ao interesse de instituições na eleição de representantes próprios. Gabiati afirma que a influência religiosa pode aparecer em referências a Deus, à Bíblia e a valores religiosos, mesmo quando o candidato não se apresenta como pastor ou outra liderança religiosa.








