NOVA YORK — Socorristas que tiveram maior contato com substâncias tóxicas e situações de estresse extremo durante o resgate podem ser mais afetados pelas condições ambientais dos bairros onde vivem. A associação foi identificada em um estudo que avaliou a saúde de pessoas que atuaram após os ataques de 11 de setembro.
Publicado nesta sexta-feira (11/9) na revista Nature Communications, o trabalho analisou dados de 18.734 socorristas que vivem na cidade de Nova York. Os pesquisadores observaram a exposição anual a altas temperaturas, a poluição do ar e a presença de áreas verdes nas regiões de moradia dos participantes.
Esses dados foram comparados com indicadores de fragilidade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). A análise apontou maior risco dessas condições entre os participantes que moravam em áreas mais quentes e poluídas. Em bairros com mais vegetação, a probabilidade de desenvolver esses problemas ao longo do tempo foi menor.
Efeitos que continuam
Os socorristas enfrentaram contato com materiais tóxicos e pressão psicológica intensa durante as operações. Estudos anteriores já haviam relacionado essa exposição a problemas de saúde duradouros.
O novo estudo indica que o ambiente cotidiano pode acrescentar fatores de risco e ajudar a explicar o agravamento de alguns quadros ao longo dos anos. “As consequências do 11 de setembro não se limitam ao momento do desastre”, afirma a autora principal, Helena Furman Krasnov, em comunicado.
Para os autores, as conclusões também podem contribuir para a análise de outros grupos expostos a desastres, incluindo pessoas afetadas por incêndios florestais, acidentes industriais e desabamentos. A equipe pretende investigar se mais áreas verdes e melhor acesso a recursos urbanos podem reduzir esses efeitos ao longo do tempo.








