Pensamentos sobre a própria morte podem surgir em diferentes situações de sofrimento psíquico. Quando isso acontece, conversar com alguém de confiança e buscar ajuda profissional são medidas recomendadas, principalmente se esses pensamentos forem frequentes, intensos ou difíceis de controlar.
A psicóloga Raquel Antoniassi, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS), afirma: “Pensar em morte não é fraqueza nem defeito de caráter, mas sim sofrimento”. Ela também destaca que há tratamento e que é possível mudar a forma de se sentir com apoio.
Onde buscar escuta e orientação
O Centro de Valorização da Vida (CVV), apoiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia, todos os dias. O serviço oferece conversas com voluntários treinados e também mantém atendimento por chat, Skype e e-mail.
Em crises agudas, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) pode ser acionado pelo 192. O atendimento pode ocorrer por chamada de voz ou com o encaminhamento de profissionais ao local.
Adolescentes e jovens de 13 a 24 anos também podem procurar o canal Pode falar, ligado ao Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Pelo site, o usuário pode acessar o WhatsApp do chatbot Ariel, que fornece informações e encaminha para atendimento humano feito por jovens universitários.
O Helpline, da Organização Não Governamental (ONG) SaferNet, atende crianças e adolescentes em situações de risco na internet. O chat é sigiloso e recebe relatos sobre agressões, exposição a conteúdos violentos e problemas com contatos virtuais. Pais e professores também encontram orientações sobre segurança no ambiente digital.
O site Mapa da saúde mental permite localizar serviços gratuitos próximos e reúne informações e recursos digitais. A plataforma alerta, porém, que nem todos os espaços disponíveis necessariamente estão cadastrados.
Atendimento com profissionais
Na rede pública, os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) são portas de entrada para o cuidado em saúde mental. Os CAPS oferecem atendimento gratuito pelo SUS, inclusive em momentos de crise sem agendamento prévio, além de acompanhamento com consultas, psicoterapia, oficinas e atividades em grupo.
As equipes podem reunir psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em sofrimento relacionado ao suicídio também procurem UPA 24 horas, pronto-socorro, hospitais ou o SAMU 192. Esses serviços fazem uma avaliação inicial e encaminham o atendimento adequado.
Na rede privada, é possível buscar psicólogos e psiquiatras por consultas particulares ou planos de saúde. Em uma crise ou diante de risco imediato à própria segurança, a orientação é procurar um pronto-socorro sem esperar por uma consulta.
A psicóloga Raquel Antoniassi ressalta que as redes de apoio podem ser acessadas sem que a pessoa precise estar em uma situação extrema. A docente Kelly Giacchero Vedana, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (EERP-USP), orienta a evitar o isolamento, adiar decisões drásticas e buscar formas de alívio que não causem prejuízo, com apoio profissional.








