A prevenção do suicídio precisa começar antes de uma crise evidente e não pode se concentrar apenas em setembro, defende uma psicóloga com mais de 25 anos de atuação em saúde mental. A reflexão marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, em 10 de setembro, e segue o tema da International Association for Suicide Prevention (IASP): “Mudando a narrativa sobre o suicídio”.
A proposta é ampliar a compreensão sobre sofrimento, crise e recuperação, além de enfrentar o estigma associado ao comportamento suicida. A comunicação sobre o tema, quando feita de maneira responsável, pode ajudar a reconhecer sinais de sofrimento, reduzir o isolamento e facilitar a busca ou a oferta de apoio.
Cuidado antes da emergência
Tentativas anteriores, transtornos mentais, histórico familiar, experiências traumáticas, perdas, isolamento social, uso de substâncias e dificuldades financeiras estão entre os fatores associados ao comportamento suicida. Esses elementos podem se acumular ao longo do tempo, mas não formam uma sequência igual para todas as pessoas.
A prevenção, portanto, não deve se limitar à identificação de sinais de risco quando alguém já está em sofrimento intenso. Também envolve fortalecer vínculos, reduzir situações de violência e exclusão, apoiar pessoas depois de perdas importantes, ampliar o acesso à saúde mental e criar ambientes em que pedir ajuda seja possível antes que a situação pareça insuportável.
A especialista, que fundou o Instituto Vita Alere há mais de uma década, afirma que a prevenção “raramente começa no momento da crise e certamente não termina nele”. Para ela, a orientação para pedir ajuda precisa vir acompanhada de estruturas capazes de acolher e acompanhar quem procura apoio.
Isso inclui verificar se há alguém preparado para escutar, se os serviços de saúde conseguem manter o acompanhamento depois de uma emergência e se escolas, empresas, famílias e comunidades têm condições de responder a situações de sofrimento intenso. Transferir toda a responsabilidade para quem está sofrendo limita a prevenção, que também depende de relações, políticas públicas e instituições.
No Brasil, campanhas, palestras e publicações concentradas em setembro não devem ser confundidas com prevenção contínua. Uma escola, por exemplo, precisa saber como agir quando um aluno apresenta risco em abril, e não apenas durante o mês de conscientização. A mesma necessidade se aplica a empresas, universidades e serviços de saúde.
Quem estiver passando por um momento difícil ou preocupado com alguém pode buscar o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia. Adolescentes e jovens de 13 a 24 anos também podem recorrer ao Pode Falar, com escuta online, gratuita e anônima.
O Mapa da Saúde Mental reúne serviços públicos, gratuitos e de valor social em todo o Brasil. O Instituto Vita Alere oferece informações, orientação, grupos de apoio e atendimento especializado em prevenção e posvenção do suicídio. Em situação de risco imediato, a orientação é procurar um serviço de urgência ou acionar o SAMU pelo número 192.








