Um menino em idade pré-escolar desenvolveu uma lesão na pele do abdômen após usar um notebook diretamente sobre o estômago por cerca de oito horas por dia. O caso levou médicos do University Hospitals of Leicester NHS Trust, no Reino Unido, a alertar para a chamada síndrome da pele tostada.
A condição, cujo nome médico é Eritema Ab Igne, pode surgir quando a pele fica exposta repetidamente ao calor de aparelhos eletrônicos. As marcas podem ser avermelhadas ou escuras e apresentar um desenho semelhante ao de uma rede. O calor danifica vasos sanguíneos e fibras da pele, favorecendo o acúmulo de pigmentação, o surgimento de uma erupção e a descamação.
Como o diagnóstico foi definido
O menino recebia educação domiciliar e usava o notebook para fazer as tarefas. Em vez de apoiar o aparelho em uma mesa, colocava-o diretamente sobre o abdômen, principalmente quando estava carregando. Como o calor não provocava dor ou bolhas, ele não percebeu inicialmente a lesão.
O caso foi publicado no BMJ Journals em julho deste ano. No começo, a equipe médica suspeitou de uma lesão hepática. Exames de tomografia e de sangue indicaram que a erupção não apresentava risco, e o garoto recebeu alta.
Duas semanas depois, ele voltou ao hospital com piora do quadro. A infecção de pele havia se espalhado por todo o estômago e apresentava descamação. A investigação dos hábitos diários identificou o calor do computador como causa da lesão.
Riscos da exposição contínua
Médicos da Sociedade de Dermatologia de Cuidados Primários da Inglaterra afirmam que lesões leves costumam desaparecer ao longo de semanas. Em situações mais graves, porém, elas podem se tornar permanentes e, a longo prazo, favorecer o aparecimento de câncer de pele nas áreas atingidas.
Entre as complicações citadas estão o carcinoma de células escamosas e o carcinoma de células de Merkel, considerado o mais agressivo. Esses problemas podem levar décadas para aparecer.
Meses depois, em uma consulta por telefone, os pais informaram que as lesões haviam diminuído gradualmente até desaparecer. Os médicos destacaram que reconhecer a condição cedo pode evitar diagnósticos incorretos e investigações desnecessárias em crianças com erupções em forma de rede.








