A febre acompanhada de alterações neurológicas pode indicar condições graves, como meningite e encefalite. Nesses casos, a orientação é procurar atendimento médico rapidamente, especialmente quando há prostração intensa, sonolência fora do habitual, confusão mental, convulsões ou mau estado geral.
Também são sinais de alerta dor de cabeça forte, rigidez no pescoço, náuseas e vômitos. Em bebês e crianças pequenas, o choro persistente, a irritabilidade e a moleira estufada exigem atenção.
Renato Kfouri, pediatra infectologista e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que os responsáveis devem observar mudanças no comportamento habitual da criança. “Esses sinais nunca devem ser ignorados”, diz.
Em recém-nascidos, qualquer episódio de febre precisa ser investigado. Nas crianças pequenas, o limite para suspeitar de uma infecção grave também é menor, o que exige avaliação médica imediata. Embora meningite e encefalite sejam mais frequentes na infância, adultos também podem desenvolver as doenças.
Diferenças entre meningite e encefalite
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que revestem o sistema nervoso central, o cérebro e toda a coluna vertebral. Ela pode ser viral ou bacteriana. As formas virais, em geral, evoluem bem. Já as meningites bacterianas, como a pneumocócica, a meningocócica e a causada por hemófilos, costumam ser mais graves.
De acordo com Kfouri, no país, a letalidade da meningite bacteriana é de 25%, e entre 30% e 40% dos sobreviventes apresentam algum tipo de sequela definitiva.
A encefalite é uma inflamação grave que atinge diretamente o sistema nervoso central, e não as meninges. Na maioria dos casos, é causada por vírus, como o da herpes simples, influenza e covid-19. Segundo o médico, as crianças são as mais atingidas pelas duas doenças, mas a encefalite também aparece em outras faixas etárias.
Diagnóstico e prevenção
Meningite e encefalite podem evoluir rapidamente e deixar sequelas neurológicas permanentes, incluindo perda auditiva, déficits cognitivos, epilepsia e alterações motoras. O diagnóstico pode envolver a análise do líquor e exames de sangue. Testes de PCR multiplex identificam simultaneamente vírus, bactérias e fungos diretamente no líquor em poucas horas.
O tratamento da encefalite depende da causa e pode incluir antivirais. A meningite bacteriana é tratada com antibióticos; na forma viral, geralmente é feito acompanhamento clínico.
Não existe vacina específica contra a encefalite. Ainda assim, manter a vacinação em dia contra doenças como influenza e sarampo reduz o risco relacionado a vírus preveníveis por vacina. A maioria das meningites bacterianas também pode ser evitada com vacinas. A meningocócica B, porém, está disponível apenas na rede privada.








