O médico americano David A. Kessler afirma que os medicamentos análogos de GLP-1 são eficazes contra a obesidade, mas não representam uma cura definitiva. Para ele, o tratamento precisa ser acompanhado por mudanças no estilo de vida, porque o peso pode retornar após a interrupção dos remédios.
Kessler é pediatra e se formou em 1979 pela Universidade Harvard. Nos anos 1990, foi comissário da Food and Drug Administration (FDA), durante os governos de George H.W. Bush e Bill Clinton. Na pandemia de Covid-19, foi nomeado por Joe Biden Diretor Científico do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos e atuou na aceleração do desenvolvimento de vacinas contra o coronavírus no país.
Ultraprocessados e obesidade
Segundo o médico, alimentos ultraprocessados ativam circuitos de recompensa no cérebro e podem estimular o consumo contínuo. Ele afirma que esses produtos também aumentam a gordura visceral, associada a doenças cardiovasculares, infarto e AVC, além de problemas no fígado, no pâncreas e ao redor do coração.
Kessler compara a necessidade de mudar a percepção sobre os ultraprocessados à transformação da imagem do tabaco. Na avaliação dele, além de regulamentações, impostos e leis, é preciso mostrar os danos causados por esses alimentos.
O médico também diz que problemas como doenças cardiovasculares e diabetes começam a se desenvolver antes do surgimento dos sintomas. Crianças já apresentam acúmulo de gordura no fígado e diabetes, segundo ele.
Para reduzir a desigualdade no acesso à alimentação saudável, Kessler defende programas governamentais e o incentivo ao hábito de cozinhar. Ele afirma que os ultraprocessados custam menos no curto prazo, mas estão associados a despesas maiores com o tratamento de infartos, AVC e diabetes.
Uso das canetas
Os análogos de GLP-1 retardam o esvaziamento gástrico e prolongam a sensação de saciedade. O médico afirma que entre 5% e 10% das pessoas não têm perda de peso significativa com esses medicamentos, por razões ainda não totalmente compreendidas pela ciência.
A tolerância à dose também influencia o resultado. Efeitos colaterais intensos ou mal-estar constante podem impedir a continuidade do tratamento. Kessler diz que a média de uso fica entre 6 e 9 meses e que a interrupção pode levar à recuperação do peso, caso o paciente não tenha desenvolvido estratégias para manter hábitos saudáveis.
Sobre a desinformação, o pediatra defende a prevalência da evidência científica e destaca a importância das vacinas. Para ele, a vacinação foi determinante para o aumento da expectativa de vida humana e não deve ser abandonada.








