A febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral transmitida principalmente por mosquitos do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. As autoridades de saúde confirmaram quatro casos em 2026, com um deles com morte.
A maior parte das pessoas infectadas não apresenta sintomas. “Quase 80% das pessoas que se infectam não vão apresentar sintomas. E o próprio organismo elimina esse vírus sozinho”, afirma Cláudia Murta de Oliveira, infectologista do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG).
Sintomas e formas graves
Em cerca de 20% dos casos, podem surgir febre aguda de início abrupto, mal-estar, perda ou redução do apetite, náusea, vômito e dor nos olhos. Dor de cabeça, dor muscular, manchas avermelhadas na pele e aumento dos gânglios linfáticos também podem ocorrer.
A recuperação costuma acontecer ao final de alguns dias. Existe, porém, uma forma grave e rara, que pode atingir principalmente pessoas idosas. Nesses casos, o vírus pode alcançar as meninges ou o cérebro e causar meningoencefalite.
A doença neurológica grave ocorre em aproximadamente 1 em cada 150 infectados. Os sinais incluem alteração do nível de consciência, torpor, desorientação e rigidez no pescoço. Em situações raras, pode levar à morte.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito principalmente por testes moleculares, como o RT-PCR, que identificam o material genético do vírus, especialmente nas fases iniciais. Exames sorológicos que detectam os anticorpos IgM e IgG também podem ajudar.
Esses testes, no entanto, podem apresentar resultados falsos ou reações cruzadas, porque o vírus pertence à mesma família dos vírus da dengue, da febre amarela e da zika.
Não há tratamento específico, vacina disponível para humanos ou medicamento antiviral recomendado contra a infecção. Nos casos leves, os médicos orientam medidas como repouso e hidratação. Quadros graves podem exigir internação, inclusive em uma unidade de terapia intensiva (UTI), para cuidados de suporte.
Transmissão e prevenção
O mosquito adquire o vírus ao picar uma ave infectada e pode transmiti-lo a uma pessoa em uma picada posterior. As aves mantêm o vírus circulando na natureza e também servem como fonte de infecção para os mosquitos. Cavalos e outros mamíferos também podem ser infectados.
A transmissão sustentada entre pessoas não ocorre no ciclo habitual da doença. Os seres humanos são hospedeiros acidentais e terminais e, normalmente, não têm vírus suficiente no sangue para infectar outro mosquito. Há formas raras de transmissão entre pessoas por transfusão de sangue, transplante de órgãos, aleitamento materno e durante a gestação.
A prevenção inclui o uso de repelentes, roupas que cubram boa parte do corpo, telas em portas e janelas e mosquiteiros. Também são necessárias medidas de controle dos mosquitos e de seus criadouros.
O Culex está presente em diferentes regiões do Brasil. A vigilância de animais ajuda a identificar a circulação do vírus. “É muito importante que casos de aves encontradas mortas ou de cavalos que apresentem quadro neurológico sejam monitorados e comunicados para as autoridades sanitárias”, afirma Oliveira.








