O infarto é a principal causa de morte no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. O país registra de 300 mil a 400 mil casos por ano, com um óbito a cada 5 a 7 casos. O atendimento de urgência é fundamental para aumentar as chances de sobrevivência.
Quem já teve um infarto apresenta risco elevado de sofrer outro evento cardiovascular, principalmente nos primeiros meses e durante o primeiro ano. Luiz Antonio Cesar, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), afirma que o primeiro episódio indica uma doença coronariana já manifestada e exige medidas de prevenção mais intensivas.
Controle dos fatores de risco
Após o infarto, é necessário controlar a pressão arterial, tratar o diabetes quando presente e reduzir o colesterol LDL. Pelas recomendações atuais citadas pelo especialista, a meta é manter o LDL abaixo de 55 mg/dL.
O tratamento inclui o uso correto dos medicamentos prescritos e mudanças nos hábitos. Entre as medidas estão reduzir o peso, quando necessário, manter uma alimentação saudável, abandonar o tabagismo e praticar atividade física regular, de forma orientada e compatível com a condição clínica.
Uma parcela dos pacientes passa por cateterismo cardíaco e pode precisar de angioplastia com implante de stents nas artérias coronárias. Nesses casos, os antiagregantes plaquetários ajudam a reduzir o risco de formação de trombos no stent, que podem bloquear novamente a artéria e provocar outro infarto.
Cerca de 20% a 25% das pessoas que sofrem um infarto já apresentavam fatores de risco, de acordo com estatísticas clínicas citadas por Cesar. Algumas também haviam procurado atendimento por dor no peito.
Acompanhamento depois da alta
O acompanhamento deve avaliar a função do músculo cardíaco e o controle do colesterol, da pressão arterial e do diabetes. Também é preciso revisar tabagismo, alimentação, peso e atividade física.
A primeira reavaliação clínica e laboratorial ocorre nas semanas seguintes, para verificar se as metas estão sendo atingidas e ajustar o tratamento quando necessário. O ecocardiograma pode ser repetido em torno de dois a três meses, especialmente quando houve comprometimento da função ventricular no período agudo.
A atividade física deve ser retomada progressivamente, conforme a condição clínica. O especialista afirma que não há orientação para permanecer deitado ou inativo por períodos prolongados. Programas de reabilitação cardiovascular podem ajudar quando estiverem disponíveis.
Gravidade de um segundo infarto
Um segundo infarto não é necessariamente mais grave que o primeiro, mas pode ter maior impacto quando há demora no atendimento ou comprometimento de outra área do coração. A perda de mais músculo cardíaco pode prejudicar a contração, o bombeamento e o relaxamento do coração, com possibilidade de evolução para insuficiência cardíaca, sobretudo quando a lesão é extensa ou o fluxo sanguíneo não é restabelecido em tempo adequado.








