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Por que as lembranças do 11 de setembro podem estar erradas
Foto: YU-bin/Wikimedia Commons
Saúde

Por que as lembranças do 11 de setembro podem estar erradas

Estudos mostram como o tempo, relatos externos e repetições podem alterar a memória de eventos traumáticos.

As lembranças sobre o 11 de setembro de 2001 parecem muito precisas para quem viveu os ataques, mesmo à distância. Muitas pessoas dizem recordar onde estavam e o que faziam ao ver as imagens das Torres Gêmeas, em Nova York. Mas a memória pode misturar fatos, relatos e experiências posteriores.

Pesquisadores entrevistaram mais de 2 mil norte-americanos na semana seguinte aos ataques e repetiram as perguntas um ano, dois anos e dez anos depois. Um trabalho publicado em 2015 mostrou que, com o passar do tempo, os pontos centrais permaneciam, mas detalhes se tornavam mais difusos e podiam ser confundidos.

Uma pessoa que esteve no trabalho em algum momento do dia, por exemplo, pode passar a lembrar que viu as torres caírem na televisão do escritório, embora ainda estivesse em casa. A memória também não registra apenas o acontecimento original: ela é influenciada pela última vez em que o episódio foi lembrado.

Como surgem as falsas memórias

O esquecimento faz parte do processamento dos acontecimentos. Quando uma informação é perdida, a mente pode preencher a lacuna com algo que se encaixe na narrativa construída. Repetir uma história muitas vezes pode aumentar a sensação de certeza, mesmo quando existem erros.

Livros, filmes, documentários e relatos de outras pessoas também interferem nessa reconstrução. O sociólogo francês Maurice Halbwachs desenvolveu, ainda nos anos 1940, o conceito de memória coletiva para explicar como ideias e emoções de um grupo podem ser atribuídas à própria experiência.

No Brasil, um exemplo conhecido envolve o episódio de Dragon Ball Z que teria sido interrompido na TV Globo pelo Plantão com as primeiras informações sobre os ataques. A emissora verificou seus acervos e confirmou que o anime não estava no ar naquela manhã. A primeira entrada do Plantão interrompeu As Aventuras de Mickey e Donald, enquanto a cobertura que alterou a programação do restante do dia começou durante um intervalo comercial.

Esse tipo de lembrança compartilhada é associado ao chamado efeito Mandela. O nome faz referência à falsa lembrança de que Nelson Mandela teria morrido na prisão nos anos 1980. Na realidade, ele viveu até 2013 e governou a África do Sul.

Uma mesma manhã, várias imagens

No Memorial do 11 de Setembro, em Nova York, a instalação Trying to Remember the Color of the Sky on That September Morning, de Spencer Fintch, reúne 2.983 quadrados em diferentes tons de azul. A obra representa cada vítima dos dois ataques no World Trade Center e também as vítimas de um atentado a bomba ocorrido em 1993.

A instalação mostra como a percepção individual interfere nas recordações. A manhã costuma ser descrita como um dia de céu intensamente azul e horizonte limpo após tempestades na véspera. Outras pessoas, porém, lembram tons cinzentos ou quase brancos, associados à fumaça da destruição. As memórias, portanto, não são iguais para todos.

Texto produzido pela Redação Voz em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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